Após duas quedas trimestrais consecutivas, a previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais de 2019 feche no negativo. O indicador, que ao fim de 2018 representava um montante de R$ 598 bilhões, teve um crescimento de 1% no primeiro trimestre do ano passado, em seguida recuando 0,7% no segundo trimestre e 1,5% no terceiro trimestre, segundo dados da Fundação João Pinheiro (FJP).

Adriano Miglio, economista, cientista político e conselheiro do Corecon-MG – Foto: Acervo Corecon-MG

O retrocesso já era previsto por diversos especialistas. A recuperação econômica do estado, apesar dos sinais de melhora em 2018, foi perdendo fôlego ao longo do ano e já ameaçava entrar em queda. “A retração do PIB indica baixo crescimento, pouco dinamismo, concentração de renda e desemprego”, explica a economista e conselheira do Corecon-MG Pamela Sobrinho.

Para o economista e conselheiro do Corecon-MG, Adriano Miglio, a baixa no indicador deve-se, principalmente, à diminuição da atividade industrial do estado. “Em Minas Gerais, é muito grande o peso da indústria extrativista, que acabou entrando em crise com o rompimento da barragem da Samarco em Brumadinho”, conta.

Corroborando a opinião do especialista, a última Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que especifica o resultado da indústria por estado, apontou uma queda de 5,6% da atividade industrial em Minas Gerais, o segundo pior dado em todo o Brasil, perdendo apenas para o Espírito Santo, que teve queda superior a 15%.

Pamela Sobrinho, economista e conselheira do Corecon-MG – Foto: Acervo Corecon-MG

Já para Pamela Sobrinho, a falta de investimento do Estado e da Federação também prejudica o dinamismo da economia. “As empresas privadas não se sentem confiantes em fazer altos investimentos quando a estrutura do Estado encontra-se sucateada e em recessão, o que pode agravar ainda mais a crise já iniciada”, explica.

De acordo com Adriano, a esperança era que a economia do estado apresentasse indícios de melhora já no início de 2020, sobretudo com a movimentação do comércio e a abertura de novas vagas de emprego nos períodos de início de ano e carnaval. O resultado, no entanto, contrariou as expectativas: as chuvas que atingiram Minas Gerais nos últimos meses, ocasionando diversos danos estruturais, afetaram o desempenho.

“Uma das molas propulsoras da economia é a população. O endividamento das famílias e a falta de trabalho faz com que elas evitem o consumo ou não comprem por falta de renda e crédito, prejudicando assim o setor de comercio e serviços”, explica Pamela.

Segundo os especialistas, se não houver esforço imediato para a recuperação da economia mineira, a tendência é apenas piorar. “É preciso estimular a indústria e o comércio, setores que vêm apresentando dados fracos já no início de 2020, caso o contrário o risco é de termos, novamente, um crescimento mais baixo que o do Brasil”, alerta Adriano.

Na opinião de Pamela, quem deve dar o primeiro passo para reverter este quadro em Minas Gerais é o Estado. “Com a economia em recessão, a iniciativa privada não vai ser a primeira a investir. O Estado é quem deve promover os investimentos iniciais, fazendo parcerias público/privadas para que nossa economia volte a crescer”, sugere. Para ela, também é importante a criação de políticas públicas que promovam a diversificação de atividades, evitando que o estado fique refém do segmento extrativo.

Com dois trimestres seguidos de recessão, PIB de Minas Gerais pode fechar 2019 no negativo
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