Homenagem reconhece a contribuição do ex-reitor da UFMG ao pensamento econômico e ao desenvolvimento nacional.

A Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED) realizou, na noite desta segunda-feira, a entrega do Título de Sócio Benemérito ao professor Clélio Campolina Diniz, ex-reitor da UFMG e referência nacional nos debates sobre desenvolvimento, ciência, tecnologia e inovação. A solenidade contou com apoio institucional do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG) e do Sindicato dos Economistas de Minas Gerais (Sindecon-MG), reunindo economistas, pesquisadores, docentes e estudantes.

A mesa de honra foi composta por Eulália Alvarenga e Paulo Bretas, representando a ABED; Breno Leandro, e Carolina Batista, presidente do Corecon-MG.

A presidente do Corecon-MG, Carolina Rocha Batista, abriu as falas da mesa dizendo da grande satisfação em participar de cerimônia tão significativa

Em nome do Corecon-MG, expresso nossa satisfação em apoiar a entrega do Título de Sócio Benemérito ao Professor Clélio Campolina Diniz, ao lado da ABED e do Sindecon-MG.

Na sequência, Eulália Alvarenga, representante da ABED Nacional, descreveu o momento como de celebração e reconhecimento, e definiu a trajetória do professor Campolina como inspiradora.

Muitos de nossos colegas foram seus alunos e acompanharam atentamente seu trabalho, lendo seus artigos e se inspirando em suas ideias. É com grande satisfação que participo desta homenagem.

Paulo Bretas, representante da ABED Estadual, contou um pouco da ABED:

A ABED foi criada há cerca de três anos, em um contexto extremamente desafiador para nós, economistas e cidadãos. Vivíamos um período marcado pelo negacionismo, pela agressividade no debate público e por sucessivos ataques às instituições e aos limites da democracia brasileira. Foi nesse cenário que se tornou ainda mais urgente reunir economistas comprometidos com a defesa da ciência, com a responsabilidade pública e com o Estado Democrático de Direito.

A partir dessa iniciativa nacional, organizamos também a Comissão Mineira da ABED e estruturamos a nossa coordenação executiva estadual. E aqui deixo um agradecimento especial ao Conselho Regional de Economia de Minas Gerais, que desde o início nos ofereceu apoio e acolhimento. A ABED é uma entidade jovem, sem grandes recursos financeiros, mas com um grande compromisso ético e político — o compromisso de atuar em defesa da democracia, do desenvolvimento e da justiça social.

Quero convidar todos os economistas presentes a conhecerem a ABED, a acessarem o nosso site, a lerem nossa carta de princípios e nosso estatuto, e, sobretudo, a se somarem a essa construção coletiva. A ABED complementa e amplia a atuação das entidades já existentes, fortalecendo a presença dos economistas nos debates centrais do país, especialmente no que diz respeito aos mais vulneráveis e ao desenvolvimento sustentável do Brasil.

A entrega do certificado foi feita pelos associados da ABED, Gelton Filho e Professor Paulo Sérgio Feitosa.

 

Palestra: Brasil na corrida científica e tecnológica mundial

Após receber o título, o Professor Campolina apresentou a conferência “Brasil face à corrida científica e tecnológica mundial: determinantes, implicações e a posição do país”. Em sua exposição, analisou a transformação acelerada da economia global, impulsionada por novas tecnologias como inteligência artificial, biotecnologia, nanotecnologia, automação avançada, novos materiais e sistemas digitais integrados.

Campolina destacou que essas mudanças configuram o chamado sexto ciclo tecnológico de Kondratieff, marcado por forte competição entre países pela liderança científica, tecnológica e produtiva. Com base em dados internacionais sobre produção científica, investimentos em P&D, patentes e participação na manufatura, o professor mostrou o avanço das potências tecnológicas asiáticas e as tensões geopolíticas que moldam o cenário atual.

Potencialidades e desafios do Brasil

Ao analisar o Brasil, Campolina apontou que o país reúne ativos estratégicos — biodiversidade, base energética limpa, recursos minerais, grande mercado consumidor e importante produção científica —, mas enfrenta desafios históricos, como:

  • baixa qualidade da educação básica;

  • desigualdade social persistente;

  • precariedade urbana;

  • fragilidade do transporte público e serviços sociais;

  • desindustrialização precoce, que reduziu a participação da indústria no PIB desde os anos 1980.

Segundo o professor, a ausência de um projeto nacional articulado e de políticas consistentes para ciência, tecnologia e inovação impede que o Brasil acompanhe a transformação produtiva global.

Caminhos para o desenvolvimento

Campolina defendeu a retomada do planejamento estratégico de longo prazo, articulando:

  1. educação básica pública de qualidade;

  2. redução das desigualdades;

  3. reorganização urbana e territorial;

  4. reestruturação do Estado e valorização das carreiras públicas;

  5. reindustrialização e fortalecimento da política industrial;

  6. integração entre universidade, empresas e governo;

  7. condicionamento do capital estrangeiro à internalização de pesquisa e inovação.

Para ele, o Brasil só avançará se articular ciência, tecnologia, indústria, educação e projeto nacional.

Compromisso institucional

A homenagem reforçou o compromisso da ABED, do Corecon-MG e do Sindecon-MG com a valorização de lideranças intelectuais que contribuem de forma decisiva para o pensamento econômico, o fortalecimento da democracia e a construção de caminhos sólidos para o desenvolvimento do Brasil.

Corecon-MG e Sindecon-MG apoiam homenagem da ABED ao professor Clélio Campolina Diniz

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