Reflexões urgentes sobre gênero e desenvolvimento econômico
Nos dias 05 e 06 de setembro, Salvador foi palco de um evento transformador que reuniu economistas, pesquisadoras, representantes de instituições públicas, privadas e da sociedade civil em torno de uma pauta essencial: o enfrentamento à violência de gênero e às desigualdades estruturais como condição indispensável para o desenvolvimento econômico do Brasil. Realizado pelo Sistema Cofecon/Corecons, com organização do Corecon-BA, o 3º Seminário da Mulher Economista & Diversidade encerrou seus trabalhos com a divulgação da Carta de Salvador, documento coletivo que aponta caminhos e compromissos em prol de uma economia mais justa e inclusiva.
Ao longo dos dois dias de atividades, especialistas e ativistas destacaram como a violência de gênero impacta diretamente o Produto Interno Bruto (PIB), o mercado de trabalho e a vida acadêmica das mulheres. Temas como assédio moral, exclusão institucional e as barreiras impostas ao empreendedorismo feminino ocuparam lugar central nas mesas de discussão, evidenciando a necessidade de políticas públicas integradas e de uma perspectiva feminista na análise econômica.
A Comissão da Mulher Economista do Corecon-MG também marcou presença ativa no seminário, contribuindo para o debate sobre os desafios enfrentados pelas economistas mineiras e ressaltando a importância da integração regional para fortalecer a Comissão Mulher Economista e Diversidade em âmbito nacional.
A Mesa 1 abriu o debate com a reflexão sobre os impactos da violência de gênero no PIB, na qualidade de vida e nas estruturas sociais. Aline Cristina da Cruz, professora da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ) e pesquisadora em Economia Feminista e do Trabalho, e a conselheira federal Lúcia Garcia foram as palestrantes. . Ambas ressaltaram como as desigualdades estruturais comprometem não apenas a vida individual das mulheres, mas também a produtividade e a competitividade do país.
Na Mesa 3, dedicada ao tema “Violência de gênero, assédio moral e os impactos na vida acadêmica”, participaram a conselheira do Corecon-MG Beatriz Barros, Clarissa Flávia Santos Araújo, economista e vice-presidenta do Corecon-PI, e Rebeca Amazonas, presidenta da Federação Nacional dos Estudantes de Economia (Feneco). As palestrantes destacaram a persistência da violência simbólica e institucional no ambiente universitário e como isso compromete o ingresso, a permanência e a ascensão das mulheres na carreira acadêmica e profissional.
Já a Mesa 6 promoveu um balanço do movimento das mulheres economistas no Brasil, discutindo os avanços e dificuldades enfrentados pela Comissão Mulher Economista e Diversidade e suas representações regionais. A conselheira do Corecon-MG Valquíria Assis e Cristiane Menezes David, economista, conselheira regional e coordenadora da Comissão Mulher Economista do Corecon-SP. O debate foi fundamental para a construção colaborativa da Carta de Salvador, que se tornou símbolo do protagonismo feminino no seminário.
Carta de Salvador
A Carta de Salvador não apenas denuncia a persistência das desigualdades, mas também propõe ações concretas que conectam empregabilidade, empreendedorismo e políticas públicas como instrumentos estratégicos para superação dessas barreiras. O documento foi redigido de forma coletiva pelas economistas Janine Alves (vice-presidente do Corecon-SC), Lúcia Garcia (conselheira federal) e pelas conselheiras do Corecon-MG Emmanuelle da Silveira, Alzira Alice e Valquíria Assis, demonstrando o engajamento direto das lideranças femininas na formulação de propostas para uma economia mais inclusiva.
Ao final do encontro, foi anunciado que o IV Seminário da Mulher Economista & Diversidade acontecerá em 2026, no estado de Goiás, ampliando o diálogo nacional em torno do papel das mulheres na economia e dando continuidade às reflexões urgentes levantadas em Salvador.
Eventos como este demonstram que pensar o desenvolvimento do Brasil exige uma abordagem interseccional e comprometida com a justiça social. O protagonismo das mulheres economistas é, portanto, parte vital da construção de um país mais inclusivo e democrático.
Leia a Carta de Salvador na integra, acesse aqui.








