No mês dedicado às mulheres, o Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG) promove a iniciativa “Mulheres que Pensam a Economia”, reunindo economistas que, a partir de suas trajetórias e experiências, contribuem para ampliar o debate econômico e fortalecer a presença feminina nos espaços de decisão. As falas evidenciam que a presença feminina na economia não apenas ocupa espaços, mas transforma perspectivas e prioridades.
Avanços e desafios na liderança feminina
As reflexões evidenciam que, embora as mulheres avancem na economia, ainda enfrentam barreiras para alcançar posições de liderança. Como destaca Tania Cristina Teixeira, presidenta do Cofecon:
“As mulheres avançam cada vez mais na economia, mas ainda enfrentam barreiras para chegar aos espaços de liderança. Foram mais de 70 anos até que uma mulher assumisse a presidência do Cofecon.”
Para ela, ampliar a presença feminina nos espaços de decisão é essencial para diversificar perspectivas e construir soluções mais justas e inovadoras.
Diversidade que qualifica o debate econômico
A importância da diversidade também é ressaltada por Beatriz Barros, conselheira do Corecon-MG:
“A presença de mulheres no debate econômico amplia a atenção a temas historicamente invisibilizados e fortalece a qualidade das decisões, já que a diversidade de trajetórias sociais amplia a capacidade de análise diante de desafios complexos.”
Segundo ela, ambientes mais diversos tendem a produzir decisões mais equilibradas, inovadoras e socialmente responsáveis.
Inclusão, equidade e desenvolvimento
A necessidade de incorporar diferentes dimensões da desigualdade no debate econômico, especialmente o recorte racial, é destacada por Beatriz Barros:
“É essencial incorporar o recorte racial, reconhecendo o papel das mulheres negras em uma agenda de desenvolvimento inclusiva.”
Na mesma direção, Amanda Gonçalves Dias, conselheira do Corecon-MG, reforça que:
“A maior participação de mulheres economistas em espaços de tomada de decisão pode contribuir para a inclusão de novas perspectivas na formulação de políticas econômicas.”
Ela aponta ainda que essa diversidade amplia a atenção a temas fundamentais, como redução das desigualdades, acesso à educação e à saúde, valorização do trabalho de cuidado e inclusão no mercado de trabalho.
Economia orientada ao bem-estar social
A economista Amanda Gonçalves Dias também destaca que esse movimento contribui diretamente para o desenvolvimento:
“Contribuindo para o desenvolvimento de uma economia mais justa, inclusiva e orientada ao bem-estar social.”
Já Emmanuele Silveira, conselheira do Corecon-MG, chama atenção para a dimensão cotidiana dessa construção:
“Março é um mês de reflexão sobre a luta histórica e diária de ser mulher. Como jovem economista, enfrento esse desafio continuamente, levando a economia a todos, sem distinção social.”
Para ela, o avanço dessa agenda está diretamente ligado à construção de uma economia que valorize a vida e a igualdade.
Compromisso com a valorização da mulher economista
A iniciativa também reforça o papel estratégico das economistas no desenvolvimento social. Como destaca Alzira Alice de Souza, conselheira do Corecon-MG:
“A mulher economista fortalece a valorização das pessoas ao ampliar sua participação em espaços de decisão que promovam diversidade, inclusão e equidade.”
Ela ressalta ainda que esse movimento impulsiona o desenvolvimento da ciência econômica e reafirma o compromisso profissional com o bem-estar social.
Ao reunir essas vozes, o Corecon-MG reafirma seu compromisso com a valorização da mulher economista e com o fortalecimento de uma agenda econômica mais plural:
“Valorizar a mulher economista é fortalecer o pensamento econômico e ampliar os caminhos do desenvolvimento.”
Liderança como instrumento de equidade
A presidente do Corecon-MG, Carolina Batista, destaca que a presença feminina em posições de liderança tem papel decisivo na construção de um ambiente mais equilibrado no mercado de trabalho.
“Ocupar espaços de liderança tem sido uma grande oportunidade para equilibrar as desigualdades no mercado de trabalho e promover a expansão dos direitos conquistados.”
Para ela, o contexto atual impõe novos desafios às profissionais, exigindo constante atualização e capacidade de adaptação.
“É fundamental acompanhar e se adaptar continuamente às novas exigências do mercado, a fim de liderar com eficácia e fortalecer a presença feminina em posições de decisão, contribuindo para transformações mais justas e inclusivas.”
Estruturas econômicas e justiça social
A economista Eulália Alvarenga traz uma análise crítica sobre o funcionamento da economia brasileira e seus impactos sociais, especialmente sobre as populações mais vulneráveis.
“A ordem econômica brasileira é marcada por lógicas neoliberais e patriarcais, concentra renda e adota um sistema tributário regressivo que penaliza os mais pobres.”
Ela também chama atenção para o papel estratégico das economistas na formulação e defesa de políticas públicas mais justas.
“O papel da mulher economista é defender políticas que evidenciem a justiça fiscal e social, sobretudo em relação às mulheres.”
Diversidade como condição para o desenvolvimento
A conselheira Ilva Ruas de Abreu ressalta que, apesar dos avanços da Ciência Econômica, ainda há lacunas importantes no que diz respeito à diversidade nos espaços de decisão.
“A Ciência Econômica chega ao século XXI com avanços, mas ainda carece de diversidade nos espaços de decisão.”
Para ela, ampliar a participação feminina é essencial para qualificar o debate e promover soluções mais eficazes.
“Ampliar a participação das mulheres economistas não é concessão, mas requisito de rigor, eficiência e compromisso com uma economia que atenda a todos.”
Ilva também enfatiza o papel ativo das profissionais na transformação da realidade social.
“Cabe às economistas não apenas analisar desigualdades, mas atuar em sua transformação, reconhecendo a diversidade como investimento com retorno social — condição essencial para uma economia mais justa.”
Compromisso com uma economia mais plural
Ao reunir diferentes trajetórias e visões, o Corecon-MG reafirma seu compromisso com a valorização das mulheres economistas e com a construção de uma agenda econômica mais inclusiva. As reflexões demonstram que a diversidade de experiências fortalece o pensamento econômico e amplia os caminhos para um desenvolvimento mais justo e sustentável.









