A quinta edição do Seminário de Estudantes de Economia e Relações Econômicas Internacionais traz não apenas os desafios do presente, mas também as oportunidades para moldar um futuro mais justo e próspero.
Entre os dias 16 e 18 de maio, Belo Horizonte foi palco do 5º Seminário dos Estudantes de Economia e Relações Econômicas Internacionais. O evento foi uma realização do Corecon Acadêmico-MG, com apoio do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (CREA-MG), Sindicato dos Economistas de Minas Gerais (Sindecon-MG) e Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG).
A solenidade de abertura ocorreu no dia 16 de maio, às 19h, na sede do CREA-MG, destacou que os objetivos centrais do evento são estimular a reflexão crítica sobre os desafios do desenvolvimento nacional, valorizar a pluralidade teórica e metodológica da ciência econômica, e fortalecer a presença estudantil nos debates sobre políticas públicas, justiça social e soberania nacional.
A mesa de abertura foi composta por Carolina Rocha Batista, presidente do Corecon-MG, Lúcia Garcia, conselheira federal representando a presidente do Cofecon, Tânia Cristina Teixeira, Stéfany Victória, presidente do Corecon Acadêmico de Minas Gerais, Breno Leandro, presidente do Sindecon-MG, Guilherme Alves, coordenador do Sindipetro-MG, presidente do Sindicato dos Auditores de Tributos Municipais de Belo Horizonte – Sinfisco, André de Freitas Martins, Angélica Ferreti, representando o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão Ferreira e Paula Cares (Unimontes).

Em sua fala, a presidente do Corecon-MG, Carolina Rocha Batista, destacou a importância de fortalecer os espaços de participação estudantil dentro dos Conselhos Regionais:
“O Corecon Acadêmico é um instrumento essencial para aproximar o Conselho das universidades e para construir uma economia que seja, de fato, democrática, inclusiva e voltada para o desenvolvimento nacional. Os estudantes de Economia e Relações Internacionais têm um papel estratégico nesse processo, e eventos como este mostram o quanto o futuro da nossa profissão está em boas mãos.”
Ela ainda reforçou o compromisso do Corecon-MG com a formação crítica dos futuros economistas e com o incentivo à pluralidade de ideias:
“Nosso papel institucional vai além da fiscalização profissional. Estamos aqui para promover o debate público, valorizar as contribuições da ciência econômica e fomentar o protagonismo da juventude na construção de soluções para os desafios do nosso tempo.”
Angélica Ferreti, lembrou que o Corecon-MG tem desempenhado um papel relevante na Associação Mineira de Municípios (AMM), especialmente na seleção dos melhores projetos no Prêmio AMM de Boas Práticas na Gestão Municipal.
“A atuação dos conselheiros do Corecon-MG tem contribuído, ao longo dos últimos três anos, para identificar e promover práticas exitosas entre os 853 municípios mineiros. Projetos vencedores são levados como referência a outras localidades, impulsionando a disseminação de boas práticas administrativas”.
Na sequência, André Martins, presidente do Sindicato dos Auditores de Tributos Municipais de Belo Horizonte – Sinfisco, agradeceu a iniciativa do seminário e destacou que eventos como este proporcionam novas perspectivas para atuação prática dos economistas.
Espaço como este é importante para o debate de ideias que extrapolam a teoria da sala de aula, especialmente em relação à reforma tributária e seus impactos sobre o desenvolvimento nacional.
Breno Leandro do Carmo Corrêa, presidente do Sindicato dos Economistas, parabenizou o Coreceon-MG pela forte articulação com o meio acadêmico destacando o papel nacional de referência do Corecon Acadêmico de Minas Gerais.
“A atuação conjunta entre conselho profissional e sindicato na valorização e na inserção qualificada dos economistas no mercado”, afirmou.
A economista Carolina Rocha, presidente do Corecon-MG, fez a saudação oficial de abertura, evidenciando a importância do evento como espaço de construção de conhecimento, de troca de experiências e de fortalecimento da formação ética e crítica dos futuros economistas.
“Este é mais que um evento acadêmico; é a materialização de um sonho coletivo. Celebramos este seminário em um ano simbólico, em que o Corecon MG completa 60 anos, consolidando-se como a verdadeira casa dos economistas mineiros”,
Ela destacou ainda os esforços em atualizar a Lei 1.411/1951, que regulamenta a profissão do economista. A tramitação de um novo projeto de lei no Congresso, com apoio do Cofecon e dos conselhos regionais, visa ampliar e modernizar o campo de atuação dos economistas diante dos desafios contemporâneos.
Representando o COFECON, a conselheira, Lúcia Garcia, trouxe a saudação da presidenta Tânia Teixeira, mineira e primeira mulher a ocupar a presidência do órgão. Ressaltou a missão dual do sistema Cofecon/Corecon: discutir o desenvolvimento nacional e defender os economistas enquanto trabalhadores e pensadores que merecem reconhecimento e espaço digno na sociedade.
“Neste encontro de gerações, estamos sobre os ombros de gigantes. É fundamental que essa nova geração de economistas siga firme, ousada e apaixonada pela profissão.”
Em nome da Universidade Estadual de Montes Claros, a professora Paula Cares agradeceu o convite e ressaltou como os alunos do norte de Minas sentem-se incluídos e representados a cada edição do seminário.
A participação crescente demonstra a importância do evento para a formação dos estudantes do interior.
Por fim, a estudante Stefany Victória, presidente do Corecon Acadêmico, encerrou a cerimônia de abertura com uma fala inspiradora:
“Nós somos formados pelas nossas experiências. Este seminário é uma aula diferente, é um espaço de troca, de conexão, de construção coletiva. Minas Gerais é riquíssima, e a nossa formação como economistas precisa desse contato com diferentes realidades. Sejam bem-vindos e que este seja um seminário inesquecível!”
A noite também foi marcada pela palestra magna do diretor-geral do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), Gustavo Vidigal, que abordou os fundamentos constitucionais do desenvolvimento nacional, o papel do planejamento estatal e a importância da boa gestão da despesa pública como forma de investimento social. Com uma fala dinâmica e acessível, Vidigal destacou:
“Será que nós conseguimos ou estamos conseguindo promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação? Essas perguntas estão logo no artigo terceiro da Constituição. São nossos objetivos fundamentais. Como gestor público, como economista, advogado ou cidadão, temos a missão de buscá-los.”
Vidigal destacou ainda a relevância da despesa pública como instrumento de investimento, particularmente no contexto brasileiro, e o papel indutor do Estado por meio das contratações públicas e da gestão orçamentária.
17 de maio
A programação do dia 17 de maio foi intensa e diversificada:
9h – Mesa: Da Industrialização à Economia Digital: O Brasil e Seus Ciclos de Desenvolvimento, com Reginaldo Lopes (economista e deputado federal), Lúcia Garcia (economista e conselheira federal do Cofecon), e Haroldo Silva (economista e vice-presidente do Corecon-SP).
Em sua fala, Haroldo Silva destacou a importância de compreender os ciclos históricos da economia brasileira e defendeu a retomada de uma agenda de desenvolvimento produtivo:
“O Brasil precisa retomar a agenda de desenvolvimento produtivo com base na reindustrialização e na valorização do conhecimento e da inovação tecnológica”, afirmou.
Já Lúcia Garcia enfatizou que não há desenvolvimento sem trabalho decente:
“Não há política de desenvolvimento que se sustente sem enfrentar a questão do trabalho precarizado e das desigualdades estruturais no Brasil. A economia digital precisa ser um instrumento de inclusão e não de aprofundamento das desigualdades”, declarou.
O deputado federal Reginaldo Lopes enfatizou a importância do fortalecimento das instituições democráticas e do investimento em educação econômica.
“O Brasil precisa entender a economia como um instrumento de transformação social”, defendeu.
10h30 – Mesa: Brasil e a Economia Internacional, com Juliane Furno (economista e professora da UERJ), Luciana Servo (economista e presidente do IPEA), e Antônio Corrêa de Lacerda (economista e conselheiro federal do Cofecon).
A economista e professora da UERJ, Juliane Furno, destacou os rearranjos na geopolítica internacional e seus efeitos econômicos.
“Há uma reordenação da dinâmica militar. As taxas de crescimento dos gastos com defesa são muito maiores na China e na Rússia. Também vemos movimentos como a desdolarização e a criação de redes alternativas ao sistema Swift. É uma contestação do poder absoluto do dólar”, afirmou.
Luciana Servo, presidente do IPEA, também abordou a nova configuração econômica global.
“O país que mais cresceu em 2024 foi a Índia, seguido pela Indonésia e pela China. Todos do lado de lá, do Pacífico, com culturas milenares e pensamento de longo prazo. O Brasil está na média do G20, mas a China já domina como principal parceiro comercial dos nossos estados”, destacou.
14h – Mesa: Minas Gerais: Passado, Presente e Futuro Econômico – Desafios e Oportunidades no Cenário Nacional, com Fabricio Missio (presidente do IPEAD), Vilma Pinto (assessora da Vice-Presidência da República), Eulália Alvarenga (economista) e Andréia de Jesus (deputada estadual).
15h30 – Mesa: Brasil 2030: Como as Políticas Econômicas de Hoje Moldam o Amanhã, com Alexandre Finamori (engenheiro e pesquisador da FGV), Elis Licks (economista e conselheira federal do Cofecon), e Guilherme B. Checco (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima).
O evento se encerrou no domingo, dia 18 de maio, com atividades na sede do Corecon-MG, incluindo momentos de integração e planejamento de novas ações do Corecon Acadêmico-MG.
O 5º SEEMG reafirmou o protagonismo estudantil e o compromisso das instituições com o debate crítico e a construção de um projeto nacional de desenvolvimento, plural e democrático.

