A celebração dos 75 anos da regulamentação da profissão de economista no Brasil, promovida pelo Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), em 13 de agosto, também marcou a entrega do 3º Prêmio Economia Mineira. A cerimônia reuniu economistas, representantes de universidades, instituições públicas e privadas, entidades profissionais e veículos de comunicação.
Entre os integrantes da mesa de honra esteve o reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Demétrius David, que destacou a coincidência entre os 75 anos da regulamentação da profissão, o centenário da UFV, os 50 anos do curso de Economia e os 20 anos do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade. Em sua fala, o reitor defendeu uma aproximação maior entre os Conselhos profissionais e as universidades, especialmente para que os estudantes conheçam, ainda durante a formação, as funções e responsabilidades dessas instituições.
Leia a íntegra da fala do reitor Demétrius David
Boa noite a todos e a todas.
Boa noite, pessoal.
Inicialmente, cumprimento a presidente do Corecon-MG, Carolina, em seu nome e os demais membros do dispositivo.
A todos os economistas aqui presentes, nossos parabéns pelos 75 anos de regulamentação da profissão. Dizem que reitor fala muito, não é? E reitor em segundo mandato, como eu, fala mais ainda. Mas eu serei muito breve. Eu não poderia deixar, Carolina, de destacar algumas questões que marcam este momento.
Primeiro, é um momento emblemático, em que temos 75 anos de regulamentação da profissão, coincidindo com os 100 anos da Universidade Federal de Viçosa, os 50 anos do curso de Economia, que já formou mais de 1.500 economistas para atuarem no Brasil e no mundo, e também os 20 anos do Programa de Pós-Graduação em Economia da nossa Universidade.
Então, para nós, é uma grande honra estar aqui presente.
Mas o que eu queria destacar é que a minha presença aqui neste dia é uma singela representação de uma necessidade cada vez maior que nós temos de aproximação dos diversos Conselhos, e não apenas do Corecon, com as nossas universidades.
Sempre me incomodou muito e, quando o Breno mencionou o Corecon Acadêmico, eu fiquei muito feliz. Sempre me incomodou muito o fato de que as universidades é que formam os profissionais nas diversas áreas de atuação. E, muitas vezes, nós formamos profissionais que não entendem, de maneira clara, a função dos Conselhos, vendo-os, muitas vezes, apenas como órgãos arrecadadores.
Falo isso com tranquilidade porque sou filiado ao Crea. Sou engenheiro e filiado há mais de 35 anos. Um tempo atrás, tive uma notícia feliz e triste ao mesmo tempo. Quando recebi minha anuidade para pagar, vi que o valor era muito menor do que eu estava acostumado. Entrei em contato com o presidente do CREA, que é muito amigo nosso, pensando que deveria ter ocorrido algum erro.
Não. Ele me explicou que, como eu já tinha 35 anos de contribuição, pagaria apenas 10% da anuidade.
Eu não sei se aqui funciona dessa forma, mas, na Engenharia e na Agronomia, funciona assim. Então, fiquei feliz por pagar menos, mas, ao mesmo tempo, triste por saber que já estou bem experiente.
Mas eu sempre tento trabalhar para essa aproximação, e minha vinda aqui representa isso.
Nós temos, por exemplo, hoje, a sede do CREA, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, dentro da UFV. E eu convido o Corecon para estar conosco também nesse processo, porque é muito importante essa aproximação dos Conselhos com a Academia, para que nós possamos educar os futuros economistas sobre as reais funções e missões do Conselho e do sindicato, para que eles não se formem já criticando o sistema.
Outra questão que eu gostaria de destacar, muito rapidamente, é que, por estarmos completando o centenário, a gente acaba refletindo sobre algumas questões.
Eu tenho falado, Carolina, que se enganam aqueles que acham que somos uma instituição antiga. Eu falo que somos uma jovem criança de 100 anos.
Por que estou falando isso?
75 anos é muito pouco tempo. E isso reflete uma das razões pelas quais nós ainda somos um país subdesenvolvido. Enquanto mundo afora nós temos universidades milenares, e, na própria América Latina, temos universidades com mais de 500 anos, o sistema universitário brasileiro é muito recente, tem pouco mais de 100 anos.
Nesse contexto, no caso da UFV, nós somos uma das instituições mais antigas, mas nem por isso ultrapassadas.
Isso vale também para a Economia. Ou seja, 75 anos é pouco tempo demais para uma profissão com a importância da Economia, ainda mais em um país como o Brasil, que tem uma instabilidade absurda.
E eu fico pensando aqui quão difícil é a atuação de vocês.
Eu sou hidrólogo, e, na hidrologia, já está muito difícil, porque todo mundo tem acompanhado as mudanças climáticas. Na hidrologia, nós sempre fizemos o quê? Analisamos a frequência de ocorrência dos eventos do passado para estimar a probabilidade teórica de ocorrência de um evento no futuro.
Mas isso já não se consegue mais, porque os extremos climáticos são muito diferentes do que ocorreu no passado.
E, na Economia, isso acontece a todo momento. Ter previsibilidade econômica em um país como o nosso é muito difícil.
Mas foi muito bem destacada pela Carolina e pelo Breno a importância social da atuação de vocês. Ou seja, a Economia é uma profissão que interfere na vida das pessoas, na qualidade de vida. E, por isso, vocês merecem de todos nós o mais profundo respeito e admiração.
Muito obrigado por essa oportunidade de estar aqui com vocês neste momento tão especial.
Obrigado e boa noite a todos.

