Minas Gerais amanheceu mais silenciosa. Lô Borges se despediu de nós, mas sua música — feita de alma, paisagem e sentimento — continua viva, pulsando em cada canto onde há afeto. Co-fundador do Clube da Esquina ao lado de Milton Nascimento, Lô ajudou a traduzir o espírito mineiro em som. Criou um idioma universal a partir das nossas montanhas, das calçadas de Santa Tereza, das janelas de casa.

A música de Lô é daquelas que se tornam parte da gente. Em “O Trem Azul”, feita com Ronaldo Bastos, ele nos ensinou que há viagens que começam dentro do peito. Em “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, ao lado do irmão Márcio Borges, mostrou que a esperança tem cor, tem melodia. E em “Paisagem da Janela”, com Fernando Brant, revelou que o cotidiano pode ser pura poesia quando visto com o coração aberto. Essas canções não envelhecem: ficam no tempo, na memória, nas famílias, nas esquinas.

O Corecon-MG teve a honra de receber Lô Borges em setembro de 2017, no encerramento do XXII Congresso Brasileiro de Economia, em Belo Horizonte. Era uma noite de premiações, mas quem brilhou mesmo foi ele. Subiu ao palco como atração cultural e terminou como símbolo de um encontro que sonha o Brasil com arte, ideias e compromisso social. Sua presença lembrou a todos que cultura e desenvolvimento caminham juntos — e que o futuro também se constrói com beleza.

Aos 73 anos, Lô partiu na cidade que o viu nascer, após semanas de luta. Sua partida nos comove, mas também reacende o orgulho por tudo que ele nos deixou. Sua obra é um legado delicado e potente — um modo de compor que abraça o mundo sem perder a alma mineira.

Minas sabe ser silêncio, mas também sabe agradecer. Lô era feito dessa mistura rara: timidez e coragem, gentileza e revolução. Com seus parceiros, criou um dos álbuns mais importantes da música brasileira, o eterno “Clube da Esquina”, lançado em 1972. Foi a resposta de Minas ao mundo — e talvez agora seja a nossa vez de retribuir, cuidando dessa herança com carinho: nos palcos, nas escolas, nas políticas públicas.

Obrigado, Lô, por transformar uma esquina em abrigo, em encontro, em horizonte.
Seu trem azul continua passando por aqui — e a gente segue acenando, com saudade e o coração cheio de gratidão.

Corecon-MG

Corecon-MG presta Tributo a Lô Borges

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