Gênero, raça e desigualdades Economia e desigualdades: os desafios de gênero e raça no Brasil
Os debates do dia 29 de maio abordaram a persistência das desigualdades sociais e o papel estratégico dos economistas na formulação de políticas públicas e na construção de projetos de desenvolvimento para o país.
A palestra foi acolhda por um auditório cheio de estudantes.
A primeira mesa do 6º Seminário de Estudantes de Economia, realizada na manhã do dia 29 de maio, promoveu um debate sobre as desigualdades de gênero e raça na sociedade brasileira, reunindo pesquisadores que apresentaram evidências econômicas e reflexões teóricas sobre os desafios enfrentados por mulheres e pela população negra.
A professora Dra. Aline C. Cruz, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), apresentou a palestra “Mulheres como Protagonistas na Economia: Desafios, Avanços e Desigualdades Raciais no Brasil”, trazendo contribuições da Economia Feminista Decolonial para a compreensão da chamada feminização da pobreza. A pesquisadora destacou fatores como a monoparentalidade feminina, a sobrecarga do trabalho de cuidado, a informalidade, os custos da maternidade e a desigual divisão do tempo entre homens e mulheres. Também foram apresentados dados que demonstram a persistência das desigualdades de renda, pobreza e participação política entre homens e mulheres, especialmente quando se considera o recorte racial.
Entre os dados discutidos, destacou-se o fato de que as mulheres negras permanecem entre os grupos mais vulneráveis social e economicamente, acumulando maiores jornadas de trabalho doméstico não remunerado e maior incidência de pobreza. A palestrante também abordou os impactos econômicos da violência contra as mulheres, ressaltando seus efeitos sobre a produtividade, o emprego e o crescimento econômico.
Na sequência, a mesa recebeu a exposição “Desigualdades Raciais no Brasil: Evidências Econômicas”, com o professor Daniel Pereira da Silva, da FECAP, que apresentou indicadores sobre a persistência das desigualdades raciais no mercado de trabalho, na renda e no acesso às oportunidades educacionais. Os dados mostraram que trabalhadores negros ocupam, em média, posições de menor remuneração e enfrentam maiores dificuldades de mobilidade social quando comparados à população branca.
A apresentação também discutiu como o racismo e o patriarcalismo atuam como elementos estruturantes da economia brasileira, contribuindo para a manutenção de uma divisão racial e de gênero do trabalho. Segundo a análise apresentada, a desigualdade racial não constitui apenas um problema social, mas um componente histórico do próprio processo de desenvolvimento econômico do país.
O debate evidenciou a importância de incorporar as dimensões de gênero e raça às análises econômicas, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas para a redução das desigualdades e para a ampliação das oportunidades de participação social e econômica de grupos historicamente marginalizados.
MESA 2
Profissão do Economista, Planejamento e Atualização da Regulamentação Profissional pautam segunda mesa do Seminário
Representantes do Sistema Cofecon/Corecons discutiram os desafios contemporâneos da profissão, a importância do planejamento econômico e a atualização da legislação que regulamenta o exercício da atividade de economista no Brasil.
A segunda mesa do 6º Seminário de Estudantes de Economia, realizada na tarde de 29 de maio, reuniu representantes do Sistema Cofecon/Corecons para discutir os desafios contemporâneos da profissão de economista, o papel estratégico desses profissionais na sociedade e a tramitação do Projeto de Lei nº 3.178/2024, que propõe a atualização da legislação que regulamenta a categoria. Participaram do debate Odilon Guedes Pinto Júnior, conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Tania Cristina Teixeira, presidenta do Cofecon, e Carolina Rocha Batista, presidenta do Corecon-MG.
Em sua exposição, Odilon Guedes destacou a relevância histórica do Estado como agente de planejamento e desenvolvimento econômico. Utilizando exemplos da industrialização brasileira, da criação de empresas estratégicas e de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento nacional, argumentou que o planejamento estatal continua sendo uma ferramenta indispensável para enfrentar desafios econômicos e sociais. O palestrante ressaltou ainda que os economistas possuem formação técnica adequada para atuar na elaboração, execução e avaliação de políticas públicas, especialmente em áreas como orçamento público, planejamento governamental e gestão de recursos.
Segundo Odilon, o planejamento público permanece uma das áreas mais importantes de atuação profissional dos economistas, exigindo capacidade de análise de dados, avaliação de cenários, elaboração de projetos e formulação de estratégias voltadas ao desenvolvimento econômico e à melhoria das condições de vida da população.
A presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, conduziu uma reflexão sobre os rumos da profissão diante das transformações econômicas, tecnológicas e sociais do século XXI. Em sua apresentação, destacou temas como saúde mental no trabalho, sustentabilidade urbana, mudanças climáticas, conflitos geopolíticos, transição energética e soberania econômica, apontando que a formação dos novos economistas deve estar conectada a uma visão sistêmica da realidade contemporânea.
A palestrante também ressaltou avanços institucionais da categoria, como a ampliação da participação feminina nos espaços de representação profissional. Atualmente, o plenário do Cofecon conta com equilíbrio entre homens e mulheres, e a entidade é presidida pela primeira mulher a ocupar o cargo em sua história.
Um dos principais temas debatidos foi o Projeto de Lei nº 3.178/2024, que busca atualizar a regulamentação da profissão de economista. Segundo Tania Cristina, a legislação atualmente em vigor foi criada em 1951 e já não contempla adequadamente as transformações ocorridas na economia, no mercado de trabalho e nas áreas de atuação profissional ao longo das últimas décadas.
De acordo com a apresentação, o projeto pretende conferir maior segurança jurídica à atuação dos economistas por meio da definição mais precisa de suas atribuições profissionais, reconhecendo formalmente atividades já exercidas pela categoria, como consultoria econômica, elaboração de estudos de viabilidade, perícias, auditorias, planejamento estratégico, avaliação de impactos econômicos e formulação de projetos de desenvolvimento.
Os participantes destacaram que a proposta não busca restringir a atuação de outras profissões, mas estabelecer maior clareza normativa e fortalecer a qualidade técnica dos serviços prestados à sociedade. Também foi ressaltada a importância dos conselhos profissionais na fiscalização do exercício da profissão, na observância dos princípios éticos e na proteção do interesse público.
Ao final, os palestrantes defenderam a necessidade de formar economistas capazes de compreender a complexidade dos desafios contemporâneos, conciliando rigor técnico, responsabilidade social e compromisso com o desenvolvimento nacional. A mesa reforçou a importância da profissão na formulação de políticas públicas, na gestão de organizações e na construção de soluções para problemas econômicos que afetam diretamente a vida da população brasileira.
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