Corecon-MG destaca a importância do empreendedorismo feminino para a economia

O empreendedorismo feminino tem papel relevante na geração de renda, na promoção da autonomia financeira e no desenvolvimento econômico. O tema foi debatido no programa Brasil das Gerais, da Rede Minas, com a participação de Alzira Alice, coordenadora do Corecon Mulher, que destacou a importância de ampliar o apoio às mulheres empreendedoras.

Durante a discussão, Alzira ressaltou a necessidade de fortalecer iniciativas que facilitem o acesso ao crédito, ofereçam orientação especializada e promovam políticas públicas voltadas ao desenvolvimento dos negócios liderados por mulheres.

“O empreendedorismo feminino é uma força, é uma potência e muda vidas. Ele traz renda, realização pessoal não só para as mulheres, mas para todo o entorno”, afirmou.

A participação também abordou os desafios enfrentados pelas empreendedoras, como as barreiras estruturais do mercado de trabalho, a desigualdade de rendimentos, os questionamentos sobre sua capacidade profissional e a sobrecarga decorrente da dupla jornada.

Nesse contexto, o acesso ao crédito adequado e a formulação de políticas públicas de apoio são instrumentos importantes para impulsionar os empreendimentos femininos. Segundo Alzira, os profissionais da Economia podem contribuir para esse processo por meio da análise de políticas, da elaboração de propostas e da busca por soluções que favoreçam o desenvolvimento econômico.

A representante destacou, ainda, a contribuição do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG) para o debate sobre gênero e economia, por meio de iniciativas que valorizam a pesquisa, promovem a reflexão e incentivam a construção de alternativas para enfrentar desigualdades.

Ao estimular a discussão sobre o empreendedorismo feminino, o Corecon-MG reforça a importância do conhecimento econômico na formulação de políticas públicas e estratégias que favoreçam a autonomia das mulheres, o fortalecimento dos empreendimentos e o desenvolvimento da sociedade.

Acesse o vídeo com a íntegra aqui.

Corecon-MG torna público a edição de setembro do Boletim de Conjuntura Econômica do IPEAD

O CORECON-MG apresenta a edição de setembro de 2026 do Boletim de Conjuntura Econômica do IPEAD, publicação realizada no âmbito do Acordo de Cooperação Técnica entre as instituições.

A edição reúne indicadores e análises sobre o desempenho da economia de Minas Gerais e do Brasil, com destaque para:

  • Atividade econômica: crescimento do PIB mineiro e desempenho da indústria, do comércio e dos serviços;
  • Mercado de trabalho: geração de empregos formais em Minas Gerais;
  • Custo de vida: variação dos preços e da cesta básica em Belo Horizonte;
  • Confiança do consumidor: evolução dos indicadores na capital mineira;
  • Análise econômica: efeitos da política monetária e reflexões sobre reindustrialização, trabalho e desenvolvimento.

Convidamos você a acessar o boletim completo e acompanhar os principais indicadores da conjuntura econômica.

Acesse a publicação:

https://site.ipead.face.ufmg.br/divulgacoes/boletim-conjuntura-economica-ap/

1º Seminário Mulher Economista de Minas Gerais: conhecimento, impacto e futuro

Nos dias 5 e 6 de novembro, o CORECON-MG realiza o 1º Seminário Mulher Economista de Minas Gerais, um espaço dedicado ao diálogo, à produção de conhecimento e à valorização do protagonismo feminino na Economia.

O encontro reunirá economistas, estudantes, professoras, pesquisadoras e profissionais para dois dias de debates, troca de experiências e reflexão sobre temas relevantes para a profissão e para o desenvolvimento econômico e social.

Na programação:

05/11 – Mesa de Abertura
Conjuntura Econômica

06/11 – A partir das 8h30

🔹 Mesa 1 – Mulher Economista Científica: apresentação dos artigos vencedores e valorização da produção acadêmica e científica de mulheres economistas.

🔹 Mesa 2 – Macroeconomia: Emendas Parlamentares, Rigidez Fiscal e a Qualidade do Gasto Público no Brasil e politica fiscal.

🔹 Mesa 3 – Economia Feminista: os impactos da violência contra as mulheres na economia.

🔹 Mesa 4 – Mulheres na Economia: trajetórias, experiências e desafios profissionais, reunindo diferentes perspectivas sobre conquistas, barreiras e oportunidades.

O seminário será também uma oportunidade para ampliar conexões, conhecer pesquisas, compartilhar experiências e fortalecer a presença das mulheres na Economia.

📅 5 e 6 de novembro de 2026
📍 Sede do CORECON-MG – Belo Horizonte

Reserve a data e participe desse encontro! Clique aqui e se inscreva.

Juntas, fortalecemos a Economia e transformamos o futuro.

Corecon-MG lamenta o falecimento do economista Jafete Abrahão

O Conselho Regional de Economia de Minas Gerais – Corecon-MG manifesta profundo pesar pelo falecimento do economista Jafete Abrahão, ocorrido em 28 de setembro de 2026, aos 87 anos.

Jafete Abrahão teve uma trajetória de relevante contribuição para a Economia e para as instituições representativas da profissão. No Corecon-MG, exerceu a presidência em 1997, deixando seu registro na história do Conselho.

Também presidiu o Conselho Federal de Economia (Cofecon) em 1991, integrando a história da entidade e da organização profissional dos economistas no Brasil.

Sua trajetória profissional incluiu ainda atuação em importantes instituições de Belo Horizonte, entre elas a URBEL e a BHTRANS, contribuindo para a administração pública e para o desenvolvimento da cidade.

Neste momento de tristeza, o Corecon-MG se solidariza com familiares, amigos, colegas economistas e todos que tiveram a oportunidade de conviver com Jafete Abrahão, expressando seus sentimentos e reconhecimento por sua trajetória.

Jafete Abrahão deixa uma importante contribuição para a história da profissão e das instituições da Economia.

Concurso da Prefeitura de Contagem oferece oportunidade para economistas

Edital nº 01/2026 prevê 272 vagas em diferentes áreas, incluindo vaga para o cargo de Economista

Os economistas que buscam uma oportunidade de ingresso no serviço público devem ficar atentos ao novo Concurso Público da Prefeitura de Contagem/MG. O município publicou o Edital nº 01/2026, com organização do Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa (IBGP), oferecendo 272 vagas para cargos de níveis médio, técnico e superior, além da formação de cadastro de reserva.

Entre as oportunidades de nível superior está o cargo de Economista, com 1 vaga, jornada de 40 horas semanais e vencimento inicial de R$ 6.020,23, acrescido de Gratificação de Incentivo à Produtividade (GIP) e auxílio-alimentação. Para concorrer, é necessário possuir ensino superior completo em Ciências Econômicas e registro no respectivo Conselho de Classe, conforme previsto no edital.

De acordo com o edital, entre as atribuições previstas para o cargo de Economista estão a análise da viabilidade socioeconômica de projetos, o fornecimento de dados para subsidiar o controle orçamentário e financeiro e a análise estatística de dados para o controle da Administração Municipal.

O concurso também oferece 3 vagas para o cargo de Técnico Superior em Gestão Pública Municipal, cuja formação preferencial inclui, entre outras áreas, Ciências Econômicas. O cargo possui jornada de 40 horas semanais e remuneração de R$ 6.634,57, acrescida de Gratificação de Atividade de Gestão Pública (GAGP) e auxílio-alimentação.

Inscrições e provas

As inscrições poderão ser realizadas exclusivamente pela internet, no site do IBGP, das 9h do dia 19 de outubro até as 16h do dia 17 de novembro de 2026. A taxa de inscrição para os cargos de nível superior é de R$ 100,00, com pagamento até 18 de novembro de 2026.

O concurso terá prova objetiva para todos os cargos. Para os cargos de nível superior, também serão aplicadas prova discursiva e prova de títulos. A prova discursiva será composta por duas questões dissertativas de natureza técnica e terá caráter eliminatório e classificatório.

A seleção terá validade de dois anos a partir da homologação do resultado final, podendo ser prorrogada uma vez, por igual período. O edital também prevê a possibilidade de acréscimo de novas vagas durante o prazo de validade do concurso, conforme a necessidade do Município.

Serviço

Concurso: Prefeitura de Contagem/MG – Edital nº 01/2026
Organizadora: Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa (IBGP)
Total de vagas: 272
Cargo de Economista: 1 vaga
Remuneração inicial: R$ 6.020,23 + GIP + auxílio-alimentação
Jornada: 40 horas semanais
Inscrições: 19/10/2026 a 17/11/2026
Taxa – nível superior: R$ 100,00
Prova: 24/01/2027

Os profissionais interessados devem consultar integralmente o edital e acompanhar as atualizações do certame no site oficial do IBGP.

Acesse o site do IBGP e confira o concurso

Corecon-MG adere ao XI Recred

O Corecon-MG tendo em vista os resultados obtidos com o XI Programa Nacional de Recuperação de Crédito, a necessidade de recuperação dos créditos existentes e o pedido de um novo programa, em resolução, aprovou a vigência do XI Programa Nacional de Recuperação de Créditos – RECRED. Adotando-se, assim, medidas administrativas com o objetivo de evitar a prescrição dos créditos.

O Programa destina-se a promover a recuperação de créditos decorrentes de quaisquer débitos de pessoas naturais ou jurídicas, inclusive os referentes às anuidades e às multas. Além de, favorecer ao economista com débitos junto ao Conselho, a oportunidade de negociação e pagamento.

Conheça a resolução que define o RECRED.

Portaria do Cofecon atualiza Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista (VHTE)

Por meio da Portaria nº 21, de 11 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial da União (DOU) no último dia 21 de agosto, o Conselho Federal de Economia (Cofecon) reajustou o Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista (VHTE), que subiu de R$ 550,00 paraR$ 574,00 (quinhentose setentae quatro reais).

O reajuste teve como base o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do período de agosto de 2025 a julho de 2026, cuja variação percentual alcançou 4,44% (quatro vírgula quarenta e quatro por cento). O VHTE é a remuneração referencial para as atividades de economia e não se aplica à definição dos salários de profissionais com vínculo empregatício.

Confira abaixo a Portaria nº 21/2026 na íntegra:

PORTARIA Nº 21, DE 11 DE AGOSTO DE 2026.

Reajusta o Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista – VHTE pelo IPCA (IBGE).

A PRESIDENTA DO CONSELHO FEDERAL DE ECONOMIA, no uso de suas atribuições legais e disposições regulamentares conferidas pela Lei nº 1.411, de 13 de agosto de 1951, Decreto nº 31.794, de 17 de novembro de 1952, Lei nº 6.021, de 3 de janeiro de 1974, Lei nº 6.537, de 19 de junho de 1978, e o que consta no Processo nº 141100.000067/2024-23;

CONSIDERANDO que o § 2º do artigo 3º da Resolução 1.868/2012, publicada no DOU nº 69, Seção 1, de 10 de abril de 2012, páginas: 141 e 142, estabelece que o Valor da Hora de Trabalho do Economista – VHTE terá seu valor-piso reajustado, por ato do Presidente do Cofecon, no mês de agosto de cada ano, com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IPCA (IBGE), no período compreendido entre os meses de agosto do ano anterior e julho do ano em curso, desprezando-se os centavos do cálculo resultante;

CONSIDERANDO que o Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista – VHTE foi fixado em R$ 550,00 (quinhentos e cinquenta reais) no ano de 2025, nos termos do artigo 1º da Portaria nº 13, de 20 de agosto de 2025, publicada no DOU nº 159, de 22 de agosto de 2025, Seção 1, Página: 110,

R E S O L V E:

Art. 1º Reajustar o Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista – VHTE para R$ 574,00 (quinhentos e setenta e quatro reais), pelo IPCA (IBGE) do período de agosto de 2025 a julho de 2026, cuja variação percentual alcançou 4,44% (quatro vírgula quarenta e quatro por cento). Art.

2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília/DF, 21 de agosto de 2026

Econ. Tania Cristina Teixeira
Presidente do Cofecon

João Antônio de Paula: 50 anos de docência e uma reflexão sobre o papel do economista

Ao longo de sua carreira, o professor contribuiu para o pensamento econômico, para a academia e, sobretudo, para a formação de diferentes gerações de economistas por meio do ensino, da pesquisa e da produção intelectual.

Entre as homenagens realizadas pelo Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG) durante a celebração dos 75 anos da regulamentação da profissão de economista, esteve a concedida ao professor João Antônio de Paula, da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (FACE/UFMG).

A homenagem reconheceu uma trajetória de 50 anos de docência, dedicada ao ensino, à pesquisa e à formação de gerações de economistas. Ao longo desse percurso, João Antônio de Paula construiu uma reflexão sobre a Economia que ultrapassa os limites da própria disciplina, incorporando história, filosofia, sociologia, geografia e outras áreas do conhecimento.

Em seu discurso, o professor recuperou o caminho que o levou à Economia, iniciado ainda na adolescência, em meio à experiência do golpe de Estado de 1964. A partir dessa vivência, contou como o interesse por questões sociais e políticas o aproximou da filosofia, da história e da Economia, até a escolha pela formação de economista.

A fala também apresenta uma reflexão sobre o significado de ser economista. Recuperando uma formulação de John Stuart Mill, João Antônio de Paula defende que “ninguém pode ser um bom economista sendo só economista”. Para ele, a complexidade dos fenômenos econômicos exige uma formação interdisciplinar e uma compreensão que considere as dimensões histórica, social, política, espacial e cultural da realidade.

Ao longo de sua intervenção, o professor também relacionou a Economia aos grandes desafios contemporâneos: a precarização e a superexploração do trabalho, as guerras e os deslocamentos populacionais, a destruição ambiental, o avanço de movimentos autoritários, o enfraquecimento da democracia e a transformação da cultura em mercadoria.

Sua reflexão converge para uma concepção da Economia como campo de conhecimento diretamente relacionado às condições materiais da existência humana. Por isso, afirma que o economista tem um compromisso com questões como liberdade, igualdade, equidade, sustentabilidade e diversidade.

A seguir, a íntegra da fala do professor João Antônio de Paula.

Eu gostaria de começar agradecendo o convite do Corecon, na pessoa da presidente Carolina, por essa homenagem imerecida, mas que me toca, me honra e me comove. Trata-se, na verdade, de um reconhecimento de uma opção de economista.

Todos temos a mesma idade, mas eu nunca pensei, quando era adolescente, em me tornar economista. O fato de chegar à Economia resulta de uma série de peripécias que eu não vou ter tempo de explorar aqui, pelo menos de forma minuciosa, mas vou falar um pouco sobre isso também.

Quero agradecer a homenagem e agradecer os amigos que tenho. Vejo muitos aqui nessa sala: antigos alunos, companheiros, colegas, gente que me ajudou muito.

Você não consegue chegar, no meu caso, tendo ficado 50 anos — 50 anos menos um mês, rigorosamente 50 anos menos um mês —, sem acumular uma experiência muito grande.

Tentei fazer um cálculo de quantos alunos eu tive nesse período, não só na universidade, mas em outras atividades docentes. Quando cheguei aos 20 mil, eu parei, porque não conseguia mais contar.

Então, é um número enorme de pessoas. É uma legião, ou legiões de pessoas, que, com a infelicidade delas, tiveram que me enfrentar, me aturar, me tolerar e, com quem, eu aprendi muito.

Você não consegue ser um professor por tanto tempo sem aprender todo dia. Cada vez que você entra numa sala de aula, mesmo tendo preparado bem aquilo que você quer falar, há sempre uma surpresa, uma coisa inesperada que te obriga a repensar, te obriga a mudar de opinião sobre coisas que vão enriquecendo nossa experiência humana e intelectual.

A escolha da Economia, no meu caso, decorre de uma preocupação, digamos, cidadã.

Quando eu vi o golpe de Estado em 1964, eu tinha 13 anos de idade. Mas, por circunstâncias familiares, eu tomei o golpe como um golpe contra mim, contra minha família. Eu tinha uma mãe que era uma juscelinista fervorosa, uma avó que era uma getulista, e o golpe pareceu a mim e à minha família uma coisa que atingia a nossa casa.

Então, eu me coloquei contra o golpe desde o início.

Isso marca muito uma trajetória de vida: você olhar para o mundo, olhar para a vida política brasileira e perceber que é alguma coisa profundamente errada, injusta, obscurantista acontecendo, e você está vivendo aquilo, crescendo sobre aquele manto pesado.

Essa experiência do golpe me levou a pensar questões relativas à sociedade, problemas sociais. E eu tinha três questões que me interessavam nesse momento, nessa adolescência: filosofia, história e Economia.

As três, para mim, eram meio indiferentes. Eu meio que misturava as três. Eu era, e sou, um leitor muito onívoro; lia muita coisa de várias áreas e, sobretudo, me colocava muito na perspectiva de transformar aquilo que eu lia em algum sentido prático, algum sentido coletivo.

Então, quando escolhi a Economia, foi uma escolha. Poderia ter sido filosofia, poderia ter sido história, mas eu não me arrependi.

O que eu fiz depois, na minha vida profissional, decorre dessa escolha, bem fortuita, pela Economia.

Eu entrei na universidade em 1970 e me tornei economista profissional em 1976. Portanto, há 50 anos, eu tinha uma carteirinha que tem o número 1172. Portanto, eu sou o associado 1.172 dos economistas de Minas Gerais.

Mas, na verdade, nunca exerci a profissão como economista, mas sim como professor de Economia e, sobretudo, de Economia Política, de História Econômica e de várias outras coisas correlacionadas com a Economia.

Ao longo da minha vida profissional, fui tentando entender exatamente o que eu estava fazendo, o que significava ser economista. E alguns autores me ajudaram muito a definir isso com mais clareza.

Um deles é John Stuart Mill, que foi um grande economista do século XIX, filósofo importante, liberal, mas com uma certa estrutura bem socializante. Um pensador interessante, positivista, ligado a Comte.

E ele disse uma coisa sobre a Economia que me parece fundamental: ninguém pode ser um bom economista sendo só economista.

Isso, para mim, é uma regra de ouro.

A atividade do economista, o pensar econômico, necessariamente mobiliza outros campos, outras disciplinas. Ele é interdisciplinar por definição.

A formação do economista é muito exigente. Eu sempre falo isso: escolher a Economia é escolher um campo muito complicado do ponto de vista teórico.

O que envolve o conhecimento de métodos quantitativos, matemática, estatística, história, história econômica, social, política, mas também de geografia, de direito, de psicologia, sociologia, administração.

Todas essas disciplinas são essenciais na formação do economista. Não são simplesmente coisas laterais, apêndices. Não.

O modo de pensar a Economia sem considerar essas disciplinas será empobrecedor, reducionista, estreito.

Tudo isso me faz — eu sempre falo isso como elogio aos economistas — lembrar uma coisa que é meio engraçada e que é um grande elogio ao economista: o caso de Max Planck, o físico que desenvolveu a teoria quântica.

Max Planck fala que queria ser economista. Começou a estudar Economia, mas aquilo era muito difícil. Então, largou a Economia para fazer física quântica.

Isso é sério. Não estou fazendo piada, é sério e é verdade.

A complexidade da Economia é um negócio para ser levado a sério.

Márcio falou a respeito da geografia e da estatística. Não é possível ser um bom economista desprezando a geografia, a dimensão espacial dos fenômenos, como também não é possível desprezar a dimensão temporal dos fenômenos: a história.

Tem um historiador fundamental, chamado Marc Bloch, que falava que a história é o estudo dos homens no tempo.

Todos os fenômenos humanos — o que é feito, e também o que não é feito, o que é sonhado, o que é planejado, o que é pensado, o que é conquistado, o fracasso — tudo isso faz parte da história.

E a Economia tem um lugar central nessa compreensão.

É preciso levar a sério a Economia porque ela é realmente uma disciplina central da vida contemporânea.

A produção material.

Nós podemos pensar várias coisas sobre o mundo, podemos imaginar o que quisermos sobre o mundo, mas o cotidiano vai nos cobrar a produção e a reprodução material.

Marx chamava isso de concepção materialista da história.

Esse elogio à Economia não é feito abstratamente. Isso é ontológico.

Se nós não trabalharmos, nós morremos. Se nós não produzimos a nossa próxima existência, desaparecemos nós, a humanidade e a civilização.

A Economia trata disso.

A Economia, nesse sentido, é uma disciplina antifrívola. Ela é a antifrivolidade, porque está o tempo todo desafiada, interpelada para pensar problemas fundamentais da vida social.

E nós estamos vivendo um momento particularmente crítico.

Ninguém dúvida disso, no Brasil, em particular, estamos prestes a entrar num processo eleitoral cujas ameaças de uma regressão fascista são fortes. Nós temos que estar atentos a isso.

Mas, no mundo inteiro, nós temos vários e vários processos absolutamente deletérios.

Nesse processo atual de superexploração do trabalho e precarização do trabalho, essas duas coisas estão juntas. O trabalho está superexplorado e precarizado.

Esse processo de pejotização e de uberização destrói completamente a vida das pessoas, mas destrói também os vínculos sociais, destrói a possibilidade da existência de uma organização coletiva do trabalho, com os sindicatos.

Esse é um fenômeno que atinge e repercute diretamente sobre a nossa profissão.

Segundo, também tem uma dimensão contemporânea decisiva que eu chamaria de exacerbação imperialista.

Imperialismo é um fenômeno antigo, moderno, do século XIX para cá, e ele tem um ciclo, tem ondas.

Nós estamos vivendo um momento especialmente dramático de exacerbação das formas mais regressivas de imperialismo, sob a forma de guerras, de violência, de racismo, de xenofobia, de nomadismo, de milhões e milhões de pessoas que vagam pelo mundo diariamente sem ter onde morrer.

Agora assistimos, na semana passada, à tentativa de invadir a Celta e todas as semanas, se vocês olharem nos jornais, eles publicam isso com uma notinha: um grupo de pessoas tentando sair da África, por exemplo, para ir para a Europa, e o barco, a embarcação precária onde estão navegando, aderna; morrem não sei quantos, morrem centenas de pessoas.

Por quê?

Porque não têm como viver onde estavam, porque tem guerra, porque tem seca, porque tem fenômenos climáticos cada vez mais dramáticos.

Esse é o terceiro ponto que eu queria chamar a atenção: a destruição ambiental provocada pela forma como o capitalismo funciona.

O fenômeno natural é o resultado de um fenômeno completamente não natural, que é o capitalismo.

Destruição ambiental, aquecimento global: outro fenômeno fundamental do nosso tempo, o ódio à democracia, a expansão dos regimes fascistas, nazistas, de extrema direita no mundo inteiro, aqui no nosso continente, inclusive.

O ódio à democracia.

E um outro fenômeno também, para mim, extremamente importante, que é a mercantilização da cultura, a transformação da cultura em mercadoria.

Tudo virou mercadoria. Tudo.

Eu listei essas coisas que são fundamentais, e todas elas, todas essas questões, o economista, a atividade econômica, o pensar econômico, o agir econômico têm um lugar importante.

Então, escolher Economia, estudar Economia, é estar se colocando problemas extremamente complexos.

Marx, num momento de otimismo, dizia que os homens não se colocam problemas que não podem resolver.

Eu acho que ele não tem muita razão nisso, mas, enfim, vamos acreditar que seja isso. Vamos perseverar nisso.

Para dizer que o maior elogio que nós podemos fazer à Economia — e eu estou fazendo um elogio vindo de fora, não me sinto muito economista nesse sentido — é que os economistas têm o dever de ofício de estar o tempo todo comprometidos com a transformação social do ponto de vista da liberdade, da igualdade, da equidade, da sustentabilidade e da diversidade.

Esses são os temas que, de um jeito ou de outro, se colocam na perspectiva dos economistas que devem ser chamados como tais.

Então, eu agradeço muito ao Corecon, à nossa Carolina, pela lembrança do meu nome, e dizer que, para mim, tem sido um privilégio compartilhar com essas gerações e gerações de alunos, amigos e colegas um pouco da minha experiência e da minha visão sobre esses temas.

Muito obrigado.