Concurso da Prefeitura de Contagem oferece oportunidade para economistas
Edital nº 01/2026 prevê 272 vagas em diferentes áreas, incluindo vaga para o cargo de Economista
Os economistas que buscam uma oportunidade de ingresso no serviço público devem ficar atentos ao novo Concurso Público da Prefeitura de Contagem/MG. O município publicou o Edital nº 01/2026, com organização do Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa (IBGP), oferecendo 272 vagas para cargos de níveis médio, técnico e superior, além da formação de cadastro de reserva.
Entre as oportunidades de nível superior está o cargo de Economista, com 1 vaga, jornada de 40 horas semanais e vencimento inicial de R$ 6.020,23, acrescido de Gratificação de Incentivo à Produtividade (GIP) e auxílio-alimentação. Para concorrer, é necessário possuir ensino superior completo em Ciências Econômicas e registro no respectivo Conselho de Classe, conforme previsto no edital.
De acordo com o edital, entre as atribuições previstas para o cargo de Economista estão a análise da viabilidade socioeconômica de projetos, o fornecimento de dados para subsidiar o controle orçamentário e financeiro e a análise estatística de dados para o controle da Administração Municipal.
O concurso também oferece 3 vagas para o cargo de Técnico Superior em Gestão Pública Municipal, cuja formação preferencial inclui, entre outras áreas, Ciências Econômicas. O cargo possui jornada de 40 horas semanais e remuneração de R$ 6.634,57, acrescida de Gratificação de Atividade de Gestão Pública (GAGP) e auxílio-alimentação.
Inscrições e provas
As inscrições poderão ser realizadas exclusivamente pela internet, no site do IBGP, das 9h do dia 19 de outubro até as 16h do dia 17 de novembro de 2026. A taxa de inscrição para os cargos de nível superior é de R$ 100,00, com pagamento até 18 de novembro de 2026.
O concurso terá prova objetiva para todos os cargos. Para os cargos de nível superior, também serão aplicadas prova discursiva e prova de títulos. A prova discursiva será composta por duas questões dissertativas de natureza técnica e terá caráter eliminatório e classificatório.
A seleção terá validade de dois anos a partir da homologação do resultado final, podendo ser prorrogada uma vez, por igual período. O edital também prevê a possibilidade de acréscimo de novas vagas durante o prazo de validade do concurso, conforme a necessidade do Município.
Serviço
Concurso: Prefeitura de Contagem/MG – Edital nº 01/2026
Organizadora: Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa (IBGP)
Total de vagas: 272
Cargo de Economista: 1 vaga
Remuneração inicial: R$ 6.020,23 + GIP + auxílio-alimentação
Jornada: 40 horas semanais
Inscrições: 19/10/2026 a 17/11/2026
Taxa – nível superior: R$ 100,00
Prova: 24/01/2027
Os profissionais interessados devem consultar integralmente o edital e acompanhar as atualizações do certame no site oficial do IBGP.
Corecon-MG adere ao XI Recred
O Corecon-MG tendo em vista os resultados obtidos com o XI Programa Nacional de Recuperação de Crédito, a necessidade de recuperação dos créditos existentes e o pedido de um novo programa, em resolução, aprovou a vigência do XI Programa Nacional de Recuperação de Créditos – RECRED. Adotando-se, assim, medidas administrativas com o objetivo de evitar a prescrição dos créditos.
O Programa destina-se a promover a recuperação de créditos decorrentes de quaisquer débitos de pessoas naturais ou jurídicas, inclusive os referentes às anuidades e às multas. Além de, favorecer ao economista com débitos junto ao Conselho, a oportunidade de negociação e pagamento.
Conheça a resolução que define o RECRED.
Portaria do Cofecon atualiza Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista (VHTE)
Por meio da Portaria nº 21, de 11 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial da União (DOU) no último dia 21 de agosto, o Conselho Federal de Economia (Cofecon) reajustou o Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista (VHTE), que subiu de R$ 550,00 paraR$ 574,00 (quinhentose setentae quatro reais).
O reajuste teve como base o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do período de agosto de 2025 a julho de 2026, cuja variação percentual alcançou 4,44% (quatro vírgula quarenta e quatro por cento). O VHTE é a remuneração referencial para as atividades de economia e não se aplica à definição dos salários de profissionais com vínculo empregatício.
Confira abaixo a Portaria nº 21/2026 na íntegra:
PORTARIA Nº 21, DE 11 DE AGOSTO DE 2026.
Reajusta o Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista – VHTE pelo IPCA (IBGE).
A PRESIDENTA DO CONSELHO FEDERAL DE ECONOMIA, no uso de suas atribuições legais e disposições regulamentares conferidas pela Lei nº 1.411, de 13 de agosto de 1951, Decreto nº 31.794, de 17 de novembro de 1952, Lei nº 6.021, de 3 de janeiro de 1974, Lei nº 6.537, de 19 de junho de 1978, e o que consta no Processo nº 141100.000067/2024-23;
CONSIDERANDO que o § 2º do artigo 3º da Resolução 1.868/2012, publicada no DOU nº 69, Seção 1, de 10 de abril de 2012, páginas: 141 e 142, estabelece que o Valor da Hora de Trabalho do Economista – VHTE terá seu valor-piso reajustado, por ato do Presidente do Cofecon, no mês de agosto de cada ano, com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IPCA (IBGE), no período compreendido entre os meses de agosto do ano anterior e julho do ano em curso, desprezando-se os centavos do cálculo resultante;
CONSIDERANDO que o Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista – VHTE foi fixado em R$ 550,00 (quinhentos e cinquenta reais) no ano de 2025, nos termos do artigo 1º da Portaria nº 13, de 20 de agosto de 2025, publicada no DOU nº 159, de 22 de agosto de 2025, Seção 1, Página: 110,
R E S O L V E:
Art. 1º Reajustar o Valor-piso da Hora de Trabalho do Economista – VHTE para R$ 574,00 (quinhentos e setenta e quatro reais), pelo IPCA (IBGE) do período de agosto de 2025 a julho de 2026, cuja variação percentual alcançou 4,44% (quatro vírgula quarenta e quatro por cento). Art.
2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília/DF, 21 de agosto de 2026
Econ. Tania Cristina Teixeira
Presidente do Cofecon
João Antônio de Paula: 50 anos de docência e uma reflexão sobre o papel do economista
Ao longo de sua carreira, o professor contribuiu para o pensamento econômico, para a academia e, sobretudo, para a formação de diferentes gerações de economistas por meio do ensino, da pesquisa e da produção intelectual.
Entre as homenagens realizadas pelo Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG) durante a celebração dos 75 anos da regulamentação da profissão de economista, esteve a concedida ao professor João Antônio de Paula, da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (FACE/UFMG).
A homenagem reconheceu uma trajetória de 50 anos de docência, dedicada ao ensino, à pesquisa e à formação de gerações de economistas. Ao longo desse percurso, João Antônio de Paula construiu uma reflexão sobre a Economia que ultrapassa os limites da própria disciplina, incorporando história, filosofia, sociologia, geografia e outras áreas do conhecimento.
Em seu discurso, o professor recuperou o caminho que o levou à Economia, iniciado ainda na adolescência, em meio à experiência do golpe de Estado de 1964. A partir dessa vivência, contou como o interesse por questões sociais e políticas o aproximou da filosofia, da história e da Economia, até a escolha pela formação de economista.
A fala também apresenta uma reflexão sobre o significado de ser economista. Recuperando uma formulação de John Stuart Mill, João Antônio de Paula defende que “ninguém pode ser um bom economista sendo só economista”. Para ele, a complexidade dos fenômenos econômicos exige uma formação interdisciplinar e uma compreensão que considere as dimensões histórica, social, política, espacial e cultural da realidade.
Ao longo de sua intervenção, o professor também relacionou a Economia aos grandes desafios contemporâneos: a precarização e a superexploração do trabalho, as guerras e os deslocamentos populacionais, a destruição ambiental, o avanço de movimentos autoritários, o enfraquecimento da democracia e a transformação da cultura em mercadoria.
Sua reflexão converge para uma concepção da Economia como campo de conhecimento diretamente relacionado às condições materiais da existência humana. Por isso, afirma que o economista tem um compromisso com questões como liberdade, igualdade, equidade, sustentabilidade e diversidade.
A seguir, a íntegra da fala do professor João Antônio de Paula.
Eu gostaria de começar agradecendo o convite do Corecon, na pessoa da presidente Carolina, por essa homenagem imerecida, mas que me toca, me honra e me comove. Trata-se, na verdade, de um reconhecimento de uma opção de economista.
Todos temos a mesma idade, mas eu nunca pensei, quando era adolescente, em me tornar economista. O fato de chegar à Economia resulta de uma série de peripécias que eu não vou ter tempo de explorar aqui, pelo menos de forma minuciosa, mas vou falar um pouco sobre isso também.
Quero agradecer a homenagem e agradecer os amigos que tenho. Vejo muitos aqui nessa sala: antigos alunos, companheiros, colegas, gente que me ajudou muito.
Você não consegue chegar, no meu caso, tendo ficado 50 anos — 50 anos menos um mês, rigorosamente 50 anos menos um mês —, sem acumular uma experiência muito grande.
Tentei fazer um cálculo de quantos alunos eu tive nesse período, não só na universidade, mas em outras atividades docentes. Quando cheguei aos 20 mil, eu parei, porque não conseguia mais contar.
Então, é um número enorme de pessoas. É uma legião, ou legiões de pessoas, que, com a infelicidade delas, tiveram que me enfrentar, me aturar, me tolerar e, com quem, eu aprendi muito.
Você não consegue ser um professor por tanto tempo sem aprender todo dia. Cada vez que você entra numa sala de aula, mesmo tendo preparado bem aquilo que você quer falar, há sempre uma surpresa, uma coisa inesperada que te obriga a repensar, te obriga a mudar de opinião sobre coisas que vão enriquecendo nossa experiência humana e intelectual.
A escolha da Economia, no meu caso, decorre de uma preocupação, digamos, cidadã.
Quando eu vi o golpe de Estado em 1964, eu tinha 13 anos de idade. Mas, por circunstâncias familiares, eu tomei o golpe como um golpe contra mim, contra minha família. Eu tinha uma mãe que era uma juscelinista fervorosa, uma avó que era uma getulista, e o golpe pareceu a mim e à minha família uma coisa que atingia a nossa casa.
Então, eu me coloquei contra o golpe desde o início.
Isso marca muito uma trajetória de vida: você olhar para o mundo, olhar para a vida política brasileira e perceber que é alguma coisa profundamente errada, injusta, obscurantista acontecendo, e você está vivendo aquilo, crescendo sobre aquele manto pesado.
Essa experiência do golpe me levou a pensar questões relativas à sociedade, problemas sociais. E eu tinha três questões que me interessavam nesse momento, nessa adolescência: filosofia, história e Economia.
As três, para mim, eram meio indiferentes. Eu meio que misturava as três. Eu era, e sou, um leitor muito onívoro; lia muita coisa de várias áreas e, sobretudo, me colocava muito na perspectiva de transformar aquilo que eu lia em algum sentido prático, algum sentido coletivo.
Então, quando escolhi a Economia, foi uma escolha. Poderia ter sido filosofia, poderia ter sido história, mas eu não me arrependi.
O que eu fiz depois, na minha vida profissional, decorre dessa escolha, bem fortuita, pela Economia.
Eu entrei na universidade em 1970 e me tornei economista profissional em 1976. Portanto, há 50 anos, eu tinha uma carteirinha que tem o número 1172. Portanto, eu sou o associado 1.172 dos economistas de Minas Gerais.
Mas, na verdade, nunca exerci a profissão como economista, mas sim como professor de Economia e, sobretudo, de Economia Política, de História Econômica e de várias outras coisas correlacionadas com a Economia.
Ao longo da minha vida profissional, fui tentando entender exatamente o que eu estava fazendo, o que significava ser economista. E alguns autores me ajudaram muito a definir isso com mais clareza.
Um deles é John Stuart Mill, que foi um grande economista do século XIX, filósofo importante, liberal, mas com uma certa estrutura bem socializante. Um pensador interessante, positivista, ligado a Comte.
E ele disse uma coisa sobre a Economia que me parece fundamental: ninguém pode ser um bom economista sendo só economista.
Isso, para mim, é uma regra de ouro.
A atividade do economista, o pensar econômico, necessariamente mobiliza outros campos, outras disciplinas. Ele é interdisciplinar por definição.
A formação do economista é muito exigente. Eu sempre falo isso: escolher a Economia é escolher um campo muito complicado do ponto de vista teórico.
O que envolve o conhecimento de métodos quantitativos, matemática, estatística, história, história econômica, social, política, mas também de geografia, de direito, de psicologia, sociologia, administração.
Todas essas disciplinas são essenciais na formação do economista. Não são simplesmente coisas laterais, apêndices. Não.
O modo de pensar a Economia sem considerar essas disciplinas será empobrecedor, reducionista, estreito.
Tudo isso me faz — eu sempre falo isso como elogio aos economistas — lembrar uma coisa que é meio engraçada e que é um grande elogio ao economista: o caso de Max Planck, o físico que desenvolveu a teoria quântica.
Max Planck fala que queria ser economista. Começou a estudar Economia, mas aquilo era muito difícil. Então, largou a Economia para fazer física quântica.
Isso é sério. Não estou fazendo piada, é sério e é verdade.
A complexidade da Economia é um negócio para ser levado a sério.
Márcio falou a respeito da geografia e da estatística. Não é possível ser um bom economista desprezando a geografia, a dimensão espacial dos fenômenos, como também não é possível desprezar a dimensão temporal dos fenômenos: a história.
Tem um historiador fundamental, chamado Marc Bloch, que falava que a história é o estudo dos homens no tempo.
Todos os fenômenos humanos — o que é feito, e também o que não é feito, o que é sonhado, o que é planejado, o que é pensado, o que é conquistado, o fracasso — tudo isso faz parte da história.
E a Economia tem um lugar central nessa compreensão.
É preciso levar a sério a Economia porque ela é realmente uma disciplina central da vida contemporânea.
A produção material.
Nós podemos pensar várias coisas sobre o mundo, podemos imaginar o que quisermos sobre o mundo, mas o cotidiano vai nos cobrar a produção e a reprodução material.
Marx chamava isso de concepção materialista da história.
Esse elogio à Economia não é feito abstratamente. Isso é ontológico.
Se nós não trabalharmos, nós morremos. Se nós não produzimos a nossa próxima existência, desaparecemos nós, a humanidade e a civilização.
A Economia trata disso.
A Economia, nesse sentido, é uma disciplina antifrívola. Ela é a antifrivolidade, porque está o tempo todo desafiada, interpelada para pensar problemas fundamentais da vida social.
E nós estamos vivendo um momento particularmente crítico.
Ninguém dúvida disso, no Brasil, em particular, estamos prestes a entrar num processo eleitoral cujas ameaças de uma regressão fascista são fortes. Nós temos que estar atentos a isso.
Mas, no mundo inteiro, nós temos vários e vários processos absolutamente deletérios.
Nesse processo atual de superexploração do trabalho e precarização do trabalho, essas duas coisas estão juntas. O trabalho está superexplorado e precarizado.
Esse processo de pejotização e de uberização destrói completamente a vida das pessoas, mas destrói também os vínculos sociais, destrói a possibilidade da existência de uma organização coletiva do trabalho, com os sindicatos.
Esse é um fenômeno que atinge e repercute diretamente sobre a nossa profissão.
Segundo, também tem uma dimensão contemporânea decisiva que eu chamaria de exacerbação imperialista.
Imperialismo é um fenômeno antigo, moderno, do século XIX para cá, e ele tem um ciclo, tem ondas.
Nós estamos vivendo um momento especialmente dramático de exacerbação das formas mais regressivas de imperialismo, sob a forma de guerras, de violência, de racismo, de xenofobia, de nomadismo, de milhões e milhões de pessoas que vagam pelo mundo diariamente sem ter onde morrer.
Agora assistimos, na semana passada, à tentativa de invadir a Celta e todas as semanas, se vocês olharem nos jornais, eles publicam isso com uma notinha: um grupo de pessoas tentando sair da África, por exemplo, para ir para a Europa, e o barco, a embarcação precária onde estão navegando, aderna; morrem não sei quantos, morrem centenas de pessoas.
Por quê?
Porque não têm como viver onde estavam, porque tem guerra, porque tem seca, porque tem fenômenos climáticos cada vez mais dramáticos.
Esse é o terceiro ponto que eu queria chamar a atenção: a destruição ambiental provocada pela forma como o capitalismo funciona.
O fenômeno natural é o resultado de um fenômeno completamente não natural, que é o capitalismo.
Destruição ambiental, aquecimento global: outro fenômeno fundamental do nosso tempo, o ódio à democracia, a expansão dos regimes fascistas, nazistas, de extrema direita no mundo inteiro, aqui no nosso continente, inclusive.
O ódio à democracia.
E um outro fenômeno também, para mim, extremamente importante, que é a mercantilização da cultura, a transformação da cultura em mercadoria.
Tudo virou mercadoria. Tudo.
Eu listei essas coisas que são fundamentais, e todas elas, todas essas questões, o economista, a atividade econômica, o pensar econômico, o agir econômico têm um lugar importante.
Então, escolher Economia, estudar Economia, é estar se colocando problemas extremamente complexos.
Marx, num momento de otimismo, dizia que os homens não se colocam problemas que não podem resolver.
Eu acho que ele não tem muita razão nisso, mas, enfim, vamos acreditar que seja isso. Vamos perseverar nisso.
Para dizer que o maior elogio que nós podemos fazer à Economia — e eu estou fazendo um elogio vindo de fora, não me sinto muito economista nesse sentido — é que os economistas têm o dever de ofício de estar o tempo todo comprometidos com a transformação social do ponto de vista da liberdade, da igualdade, da equidade, da sustentabilidade e da diversidade.
Esses são os temas que, de um jeito ou de outro, se colocam na perspectiva dos economistas que devem ser chamados como tais.
Então, eu agradeço muito ao Corecon, à nossa Carolina, pela lembrança do meu nome, e dizer que, para mim, tem sido um privilégio compartilhar com essas gerações e gerações de alunos, amigos e colegas um pouco da minha experiência e da minha visão sobre esses temas.
Muito obrigado.
Márcio Pochmann: da história da estatística à soberania dos dados
Presidente do IBGE, Márcio Pochmann, participa da celebração dos 75 anos da regulamentação da profissão de economista e propõe reflexão sobre a soberania dos dados na era digital
A celebração dos 75 anos da regulamentação da profissão de economista, realizada pelo Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), em 13 de agosto, reuniu representantes de instituições ligadas à formação profissional, à produção de conhecimento, à representação da categoria e à produção de informações sobre a realidade brasileira.
Na mesa de honra da cerimônia estiveram Márcio Pochmann, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Carolina Rocha Batista, presidente do Corecon-MG; Breno Leandro, presidente do Sindicato dos Economistas de Minas Gerais (Sindecon-MG); e Demétrius David, reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
A composição da mesa reuniu diferentes dimensões relacionadas à trajetória da profissão: a produção de informações e estatísticas, a representação institucional dos economistas, a organização sindical e a formação acadêmica. A presença dos dirigentes também estabeleceu uma relação direta entre a celebração dos 75 anos da profissão e os marcos históricos das instituições representadas.
Em sua fala, Pochmann estabeleceu uma relação entre a trajetória do IBGE, a formação do sistema estatístico brasileiro e a própria história da Economia no país. Partindo do período de criação do Instituto e dos primeiros censos, recuperou momentos em que a produção de estatísticas passou a confrontar visões consolidadas sobre a sociedade brasileira e a subsidiar decisões econômicas e políticas.
O presidente do IBGE também relacionou essa trajetória aos 90 anos do Instituto, comemorados em 2026. O IBGE foi instalado em 29 de maio de 1936, inicialmente como Instituto Nacional de Estatística, e passou a adotar a denominação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 1938.
A retrospectiva histórica serviu como ponto de partida para uma questão contemporânea: quem produz, armazena, controla e utiliza os dados sobre a sociedade brasileira?
A partir daí, Pochmann deslocou o debate para os impactos da transformação tecnológica e da inteligência artificial. Se o Estado leva anos para realizar um censo, as grandes plataformas digitais acumulam diariamente informações sobre comportamentos, deslocamentos, preferências, relações sociais e hábitos de consumo.
É nesse ponto que sua fala assume um caráter de alerta. Para Pochmann, a questão dos dados deixou de ser apenas técnica ou estatística e passou a envolver soberania nacional. O desafio, portanto, não é somente produzir informações sobre o Brasil, mas garantir que o país tenha capacidade de produzir, armazenar, proteger e utilizar estrategicamente os dados que dizem respeito à sua própria sociedade.
Essa preocupação também aparece em manifestações recentes do presidente do IBGE. Em julho de 2026, ao participar de uma sessão solene na Câmara dos Deputados pelos 90 anos do Instituto, Pochmann afirmou que o controle sobre as próprias informações constitui uma dimensão central da soberania contemporânea.
Ao final, o presidente do IBGE propôs uma aproximação entre IBGE, universidades, Conselhos profissionais, economistas e sindicatos em torno dessa questão, defendendo a construção de um movimento em favor da soberania dos dados na era digital.
A seguir, a íntegra da fala de Márcio Pochmann.
Íntegra da fala de Márcio Pochmann
Gostaria de saudar a todos com um abraço fraterno e solidário, em nome dos mais de 11 mil servidores do IBGE, distribuídos por mais de 560 agências pelo Brasil e pertencentes a 27 superintendências. Quero também parabenizar a categoria dos economistas. Agradeço muito o convite que nos foi feito.
Parabéns à Carolina que está à frente do Conselho Regional, que, como já foi bem dito, tem uma trajetória de liderança na categoria aqui no Estado e no Brasil. Ao Breno, nosso representante do sindicato aqui do Estado, cumprimento nosso magnífico reitor.
Penso que esse encontro que estamos tendo aqui. Essas falas, que me parecem somar quase 300 anos, porque temos 100 anos da universidade, o IBGE completou 90 anos agora, no dia 29 de maio deste ano, mais 75 anos da profissão. Não sei quantos anos tem o sindicato. Sessenta? Quantos? Sessenta e sete? Então, quase 300 anos.
É um reencontro de instituições que, de certa maneira, colocam o desafio que esteve presente ali no início da década de 1950, quando, apenas sete meses depois do início do segundo mandato do presidente Getúlio Vargas, ele protagonizou essa lei que estabelece a profissão dos economistas.
Naquele momento, o IBGE tinha menos de 20 anos de existência e o país enfrentava um enorme desafio: em primeiro lugar, conhecer-se na sua dimensão territorial. São marcas que vêm justamente da Revolução de 1930, quando se estabelece o desafio de nosso país de transitar de uma sociedade muito primitiva para uma sociedade complexa, moderna, que já ficou para trás, mas, enfim, a sociedade urbana e industrial.
Basta dizer que o desafio era intenso, porque nós estávamos falando, na década de 1920, de uma sociedade cuja expectativa média de vida não superava 35 anos de idade. Imaginemos voltar a 100 anos atrás. Possivelmente, uma parte sensível dos estão participando presencialmente talvez não estivesse aqui.
Uma sociedade composta de analfabetos, uma sociedade, de certa forma, muito distante daquilo em que o Brasil se transformaria praticamente meio século depois.
E isso foi feito com um projeto nacional que se constitui a partir da Revolução de 1930 e que, em 1936, no Palácio do Catete, o presidente Getúlio Vargas declarou uma frase, para nós, do IBGE, muito importante.
Ele dizia que não apenas estava cedendo o Palácio do Catete para começar as atividades do IBGE — naquela época, era o Instituto Nacional de Estatística; o IBGE só se transforma nesse nome conhecido em 1938, já no Estado Novo —, mas também estava cedendo uma sala contígua ao Palácio do Catete, não sei se vocês conhecem; vale a pena conhecer, é uma coisa muito importante.
Enfim, estava cedendo também o ministro das Relações Exteriores, Macedo Soares, para ser o presidente desse Instituto e, posteriormente, do IBGE.
Ele é, inclusive, o presidente mais longevo da instituição. São 28 presidentes ao longo de 90 anos, e o primeiro presidente ficou de 1936 a 1951. Esse é, basicamente, o momento de estruturação do sistema estatístico brasileiro tal como nós o conhecemos hoje.
O sistema estatístico brasileiro tem 155 anos. Ele começa em 1871, em plena monarquia, quando Rio Branco estabelece a criação da primeira instituição de produção de estatística no Brasil, que é a Diretoria Geral de Estatística. Ela viabiliza, em 1872, o primeiro censo demográfico.
Realizar um censo demográfico no Brasil, naquele momento, contou, na verdade, com o apoio muito grande dos padres, dos delegados de polícia, dos juízes de paz, porque não havia, na verdade, uma instituição formada por servidores para fazer esse levantamento.
E o levantamento, que estimou 10 milhões e 500 mil habitantes, colocou essa realidade diante de uma visão que havia na elite daquela época: a de que o Brasil era, na verdade, um país europeu, constituído por brancos, alfabetizados e cujo futuro estava garantido.
Era um país recente, tinha algumas décadas de independência, mas seu caminho era um caminho europeu. Em breve, seríamos uma França, uma Inglaterra.
Mas o censo vai mostrar outra coisa sobre o Brasil. Dois terços da população não eram brancos, 90% eram analfabetos e 15% da população era escrava. Então, isso foi um choque do ponto de vista do que era a pretensão da elite daquela época.
Desde então, nós temos uma tensão, muitas vezes, entre a produção da estatística, da realidade e, muitas vezes, das elites existentes ou até mesmo dos governantes, que se deparam, muitas vezes, com uma realidade distinta daquela que a retórica ou a ideologia lhes fundamenta.
Mas essa construção, que vai do último quarto, do último terço do século XIX, é importante porque vai produzir informações necessárias para uma sociedade que se identificava com o tempo lento. Diziam alguns autores, Guimarães Rosa, entre outros, que a sociedade agrária é uma sociedade do tempo lento. As coisas acontecem muito lentamente.
Então, a produção de estatística: o primeiro censo realizado em 1872, quatro anos depois é revelado o dado, em 1876, com uma crônica fantástica de Machado de Assis, que coloca a importância do número, do dado, e que não é somente o dado, mas é preciso olhar quem está por trás do dado.
Enfim, o que eu quero chamar a atenção é que a produção da estatística, até o final dos anos 1920, é uma produção que leva tempo: de dez em dez anos, vai sendo produzida. Nem sempre se conseguiu fazer todos os anos.
Mas, ali, a Revolução de 1930, que, na verdade, interdita essa Diretoria de Estatística criada lá em 1871, repensa o que criar. E aí surge o Instituto Nacional de Estatística, depois o IBGE, que é a primeira experiência do mundo em reunir estatística e geografia.
Nos dias de hoje, só há três países que juntam essas duas áreas: o México, a partir de 1983, e, em 2005, a Libéria. São os únicos países que juntam estatística e geografia.
Obviamente, nós sabemos o quanto isso foi fundamental para conhecer, por meio das missões e expedições, a demarcação do território nacional, a construção dos biomas, enfim, os mapas de fronteira.
Tudo isso vai sendo produzido oficialmente por uma instituição que começa, na verdade, a dar os contornos de um tempo moderno, de um tempo em que vai exigir mais informações, mais rápidas, porque o modo de vida na cidade é diferente do modo de vida no campo.
E, nos anos 1950, o próprio IBGE vai viver, de 1951, quando sai lá o José Carlos de Macedo Soares, até 1964, um embate muito importante, porque, naquele momento, se colocam questões sobre por que, na verdade, parte da estatística oficial do Brasil é produzida por uma instituição privada.
Como é o caso, até 1985, da produção das contas nacionais do PIB, o Produto Interno Bruto, que era produzida pela Fundação Getúlio Vargas, uma instituição privada. Como uma instituição privada produz dado público oficial?
Havia ali uma ausência do IBGE nesse sentido, porque significou repensar a sua fundamentação. Isso foi feito a partir dos anos 1950. Por que fazer censo demográfico de dez em dez anos se há uma tecnologia nova chamada pesquisa amostral? Não precisa fazer um universo; você pode fazer uma amostra representativa, e ela é mais barata, é mais ágil. E, numa sociedade urbana, cujo tempo agora está colocado pelo custo da vida, são necessárias pesquisas mais rápidas. Isso exigiu um repensar na instituição.
A mesma coisa em relação à questão do índice de preços. A inflação do Brasil, até 1985, era feita por uma instituição privada, por exemplo. E vários questionamentos sobre problemas de manipulação de dados, como foi em 1973. A base da ascensão do movimento sindical do final dos anos 1970 se deu em função da manipulação da inflação em 1973, por exemplo.
A questão dos microdados: quando você introduz os microdados, até 1950 o censo demográfico era um questionário único, universal, para todo mundo. A partir de 1960, introduz-se um questionário amostral, com 10% da população e, portanto, são gerados os microdados. Sua primeira utilização ocorreu, inclusive, em 1972, por um estadunidense, Alberto Fischloff. Foi a primeira pessoa a usar os microdados do censo. Uma coisa meio estranha, o sigilo, mas, enfim.
E, em 1973, por orientação do então ministro Delfim Netto, teve acesso aos dados, aos microdados do censo de 1970, junto com os dados da Lei dos Dois Terços, que hoje é a RAIS, Relação Anual de Informações Sociais, e mais os dados da Receita Federal, para poder produzir informações que permitissem ao governo da época dizer que a desigualdade de renda, quando se compararam os dados da renda de 1970 com os de 1960 — porque em 1960 é o primeiro censo que introduz a variável renda, que antes não tinha —, havia aumentado o índice de Gini.
Então, o modelo econômico militar produz desigualdade. Naquele momento, utilizaram-se os microdados para dizer que a desigualdade era natural por conta do capital humano. Enfim, há uma outra discussão da controvérsia dos anos 1970, à qual também vou voltar mais uma vez para dizer que ali nós estávamos vivendo um outro momento.
Então, o encontro, nos anos 1950, dos economistas com a preocupação que o IBGE vai ter, com o desafio de produção de informações mais rápidas, não somente o censo vai ganhar, na verdade, a grande orientação. Somente nos anos 1960, com o acordo que o Brasil vai fazer com a USAID, com a Aliança para o Progresso dos Estados Unidos, é que se traz a metodologia de pesquisas amostrais.
Quando a PNAD, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, surge, em 1967. Em 1969, o IBGE começa a levantar os primeiros índices de preços, chamado SINATA, da construção civil. Tudo isso para dizer o seguinte: nós estamos vivendo uma outra época, que não tem nada a ver com os anos 1950.
Nós estamos vivendo uma sociedade de serviços, uma sociedade hiperconectada na era digital. E a produção que nós estamos fazendo hoje está ficando para quase história. E nós estamos concluindo agora, dia 31 de agosto, a divulgação dos chamados microdados do Censo 2022. Ou seja, nós estamos em 2026, quatro anos depois.
E por que estão demorando tanto tempo?
Porque nós vimos divulgar, já no ano passado, os microdados, só que hoje, com o uso da inteligência artificial, é possível você tomar os microdados e reidentificar as pessoas. Você combina variáveis e chega a identificar as pessoas. E isso nos coloca em uma situação dramática, porque nós estamos sob a lei do sigilo.
E nós temos a Lei Geral de Proteção de Dados. Então, precisamos fazer uma série de testes e reorganizar a forma de uso dos microdados. Mas o que eu quero dizer, em última análise, é o seguinte: o IBGE, ou qualquer outra instituição de estatística, leva dez anos para fazer o censo. E, nas casas dos brasileiros, nós estamos falando de 90 milhões de domicílios.
Não é brincadeira.
Estamos agora nos preparando para fazer o Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola. São 5 milhões de estabelecimentos. E não é no Brasil do asfalto. É um Brasil profundo. São 37 mil recenseadores para ir aos domicílios. Para fazer o censo foram 180 mil recenseadores. Então, são operações estatísticas enormes, custosas. Mas hoje nós estamos lidando com uma outra situação, que são as big techs. Que fazem o censo todo dia.
No final do dia, eles têm o censo da população.
Como assim?
Não.
Porque todos aqui, para entrar na rede social, seja qual for, precisam autorizar a política de privacidade da empresa. E lá a gente até assina, porque, se não assinar, você não entra. E a gente nem lê. Até é bom, porque, se a gente lê, vai ficar claro que tudo o que nós postarmos — as mensagens, os vídeos, os pagamentos, tudo o que nós postarmos — está sendo armazenado por essa empresa, ou essas empresas, e lá elas dizem que os dados não nos pertencem. As nossas fotografias ou filmes.
Então, ao final do dia, eles armazenam essas informações, sistematizam e sabem as nossas opções, os nossos custos, os nossos deslocamentos. Eles têm um censo diário.
Então, nós estamos numa situação dramática, que é a seguinte: o Brasil hoje não tem soberania dos seus dados. Reitor, eu vou dizer o seguinte: as universidades são uma vergonha. Porque nós temos hoje 78% dos dados produzidos no Brasil que ficam depositados ou operacionalizados por empresas estrangeiras. Nas universidades, é 100%.
Eu venho de uma universidade que, até o final dos anos 1990, tinha o seu departamento de pessoal — melhor dizendo, de processamento de dados. Tudo era feito dentro da universidade. Nós tínhamos a internet própria da universidade. A videoconferência era da universidade. E as universidades jogaram fora isso.
Tudo hoje vinculado ao Zoom, ao Meet, eu não sei o que mais. Ou seja, os chats que nós temos hoje, que a gente faz qualquer pergunta, têm informação.
Então, de onde vêm essas informações? Fomos nós que doamos gratuitamente.
Então, essa é uma coisa gravíssima porque, hoje, essas chamadas Big Techs, e a maior parte delas tem a sede nos Estados Unidos — nada contra os Estados Unidos, mas vocês sabem —, os Estados Unidos têm duas leis que dizem o seguinte: todas as informações depositadas nas empresas com sede nos Estados Unidos são abertas para o Departamento de Estado.
Foi assim que a Petrobras, por exemplo, teve vazamento das suas informações. Como teve vazamento das suas informações? Levou a Petrobras a ter que criar sua nuvem própria, sua inteligência artificial própria.
Hoje é tudo, nossos bancos de dados, todos praticamente depositados em empresas estrangeiras. Então, nós temos uma realidade, por exemplo, em que empresas estrangeiras têm mais informação que o IBGE. Sabem mais do Brasil que o presidente da República, que o governador, que o prefeito.
Essa é uma questão fundamental que, eu diria assim, exigiria do nosso encontro, aqui, do IBGE com a Universidade, com o Conselho, com os economistas, com o sindicato, um movimento em defesa da soberania nacional.
Se há mais de 200 anos as gerações de brasileiros se juntaram para defender a soberania política, ou seja, não é mais nesse território que são tomadas decisões que vêm de Portugal, foi isso que permitiu, a partir de 1962, o Brasil, inclusive, decidir pela continuidade da escravidão.
Sessenta e seis anos de escravidão que se mantiveram foram decisões dos brasileiros naquela época. Nos anos de 1920 e 1930, uma outra grande mobilização de brasileiros em defesa do quê? Da soberania econômica. Não há soberania política se não houver decisões econômicas dentro do país. E aí, um projeto nacional-desenvolvimentista.
Hoje, nós precisamos tomar esse movimento de soberania dos nossos dados. A soberania da era digital exige, na verdade, uma inteligência que o Brasil tem. As universidades produzem gente qualificada, nuvem, está certo? Toda a estrutura digital.
Esse é o passo.
É um apelo que aproveito a oportunidade de estarmos aqui, em questões tão importantes e com um público tão adequado, para levantar esse ponto, que poderia ser uma grande campanha em defesa da soberania nacional.
Obrigado.
75 anos da Economia no Brasil: Reitor da UFV destaca aproximação entre universidade e entidades profissionais
A celebração dos 75 anos da regulamentação da profissão de economista no Brasil, promovida pelo Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), em 13 de agosto, também marcou a entrega do 3º Prêmio Economia Mineira. A cerimônia reuniu economistas, representantes de universidades, instituições públicas e privadas, entidades profissionais e veículos de comunicação.
Entre os integrantes da mesa de honra esteve o reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Demétrius David, que destacou a coincidência entre os 75 anos da regulamentação da profissão, o centenário da UFV, os 50 anos do curso de Economia e os 20 anos do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade. Em sua fala, o reitor defendeu uma aproximação maior entre os Conselhos profissionais e as universidades, especialmente para que os estudantes conheçam, ainda durante a formação, as funções e responsabilidades dessas instituições.
Leia a íntegra da fala do reitor Demétrius David
Boa noite a todos e a todas.
Boa noite, pessoal.
Inicialmente, cumprimento a presidente do Corecon-MG, Carolina, em seu nome e os demais membros do dispositivo.
A todos os economistas aqui presentes, nossos parabéns pelos 75 anos de regulamentação da profissão. Dizem que reitor fala muito, não é? E reitor em segundo mandato, como eu, fala mais ainda. Mas eu serei muito breve. Eu não poderia deixar, Carolina, de destacar algumas questões que marcam este momento.
Primeiro, é um momento emblemático, em que temos 75 anos de regulamentação da profissão, coincidindo com os 100 anos da Universidade Federal de Viçosa, os 50 anos do curso de Economia, que já formou mais de 1.500 economistas para atuarem no Brasil e no mundo, e também os 20 anos do Programa de Pós-Graduação em Economia da nossa Universidade.
Então, para nós, é uma grande honra estar aqui presente.
Mas o que eu queria destacar é que a minha presença aqui neste dia é uma singela representação de uma necessidade cada vez maior que nós temos de aproximação dos diversos Conselhos, e não apenas do Corecon, com as nossas universidades.
Sempre me incomodou muito e, quando o Breno mencionou o Corecon Acadêmico, eu fiquei muito feliz. Sempre me incomodou muito o fato de que as universidades é que formam os profissionais nas diversas áreas de atuação. E, muitas vezes, nós formamos profissionais que não entendem, de maneira clara, a função dos Conselhos, vendo-os, muitas vezes, apenas como órgãos arrecadadores.
Falo isso com tranquilidade porque sou filiado ao Crea. Sou engenheiro e filiado há mais de 35 anos. Um tempo atrás, tive uma notícia feliz e triste ao mesmo tempo. Quando recebi minha anuidade para pagar, vi que o valor era muito menor do que eu estava acostumado. Entrei em contato com o presidente do CREA, que é muito amigo nosso, pensando que deveria ter ocorrido algum erro.
Não. Ele me explicou que, como eu já tinha 35 anos de contribuição, pagaria apenas 10% da anuidade.
Eu não sei se aqui funciona dessa forma, mas, na Engenharia e na Agronomia, funciona assim. Então, fiquei feliz por pagar menos, mas, ao mesmo tempo, triste por saber que já estou bem experiente.
Mas eu sempre tento trabalhar para essa aproximação, e minha vinda aqui representa isso.
Nós temos, por exemplo, hoje, a sede do CREA, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, dentro da UFV. E eu convido o Corecon para estar conosco também nesse processo, porque é muito importante essa aproximação dos Conselhos com a Academia, para que nós possamos educar os futuros economistas sobre as reais funções e missões do Conselho e do sindicato, para que eles não se formem já criticando o sistema.
Outra questão que eu gostaria de destacar, muito rapidamente, é que, por estarmos completando o centenário, a gente acaba refletindo sobre algumas questões.
Eu tenho falado, Carolina, que se enganam aqueles que acham que somos uma instituição antiga. Eu falo que somos uma jovem criança de 100 anos.
Por que estou falando isso?
75 anos é muito pouco tempo. E isso reflete uma das razões pelas quais nós ainda somos um país subdesenvolvido. Enquanto mundo afora nós temos universidades milenares, e, na própria América Latina, temos universidades com mais de 500 anos, o sistema universitário brasileiro é muito recente, tem pouco mais de 100 anos.
Nesse contexto, no caso da UFV, nós somos uma das instituições mais antigas, mas nem por isso ultrapassadas.
Isso vale também para a Economia. Ou seja, 75 anos é pouco tempo demais para uma profissão com a importância da Economia, ainda mais em um país como o Brasil, que tem uma instabilidade absurda.
E eu fico pensando aqui quão difícil é a atuação de vocês.
Eu sou hidrólogo, e, na hidrologia, já está muito difícil, porque todo mundo tem acompanhado as mudanças climáticas. Na hidrologia, nós sempre fizemos o quê? Analisamos a frequência de ocorrência dos eventos do passado para estimar a probabilidade teórica de ocorrência de um evento no futuro.
Mas isso já não se consegue mais, porque os extremos climáticos são muito diferentes do que ocorreu no passado.
E, na Economia, isso acontece a todo momento. Ter previsibilidade econômica em um país como o nosso é muito difícil.
Mas foi muito bem destacada pela Carolina e pelo Breno a importância social da atuação de vocês. Ou seja, a Economia é uma profissão que interfere na vida das pessoas, na qualidade de vida. E, por isso, vocês merecem de todos nós o mais profundo respeito e admiração.
Muito obrigado por essa oportunidade de estar aqui com vocês neste momento tão especial.
Obrigado e boa noite a todos.
Parceria Corecon-MG e Allcare, cuidando do economista
O Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (CORECON-MG), em parceria com a Allcare, apresenta uma oportunidade exclusiva para novas adesões a planos de saúde, com condições especiais para economistas e suas famílias.
A campanha oferece isenção de carências para consultas e exames simples, proporcionando mais tranquilidade e acesso aos cuidados com a saúde.
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75 anos da profissão de economista: Corecon-MG celebra trajetória e reconhece quem constrói a Economia de Minas e do Brasil
Cerimônia marcou a entrega do 3º Prêmio Economia Mineira e reuniu representantes de instituições, universidades, entidades profissionais e diferentes áreas de atuação da Economia
Uma história de 75 anos não começa em uma assinatura. Ela começa muito antes.
Foi a partir dessa perspectiva que o Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG) celebrou, em 13 de agosto, os 75 anos da regulamentação da profissão de economista no Brasil, em uma cerimônia que também marcou a entrega do 3º Prêmio Economia Mineira.
O evento reuniu economistas, representantes de universidades, instituições públicas e privadas, entidades profissionais e veículos de comunicação para celebrar a trajetória da profissão e reconhecer pessoas e instituições que contribuem para a produção do conhecimento econômico, a formação profissional, o desempenho técnico e a comunicação especializada.
O marco histórico remete a 13 de agosto de 1951, quando foi sancionada a Lei nº 1.411, que regulamentou a profissão de economista no Brasil. Mas, como destacou a presidente do Corecon-MG, Carolina Rocha Batista, a regulamentação não representou o início da trajetória, mas a consolidação de um processo que já estava em construção.
“Mas uma história de 75 anos não começa em uma assinatura. Ela começa muito antes.”
A construção da profissão acompanhou as transformações do próprio país. A formação acadêmica, a produção de conhecimento, a organização profissional e a mobilização da categoria foram construindo as bases para que a Economia se consolidasse como campo de conhecimento e atuação profissional.
Uma profissão construída também pela organização da categoria
A trajetória dos economistas também foi marcada pela organização das entidades profissionais. O presidente do Sindicato dos Economistas de Minas Gerais (Sindecon-MG), Breno Leandro, resgatou parte dessa história ao lembrar a articulação, ainda na década de 1960, entre entidades como o Sindicato dos Economistas, o Centro de Economia e a Associação dos Economistas de Minas Gerais.
A construção da chamada “Casa do Economista” representava mais do que a criação de um espaço físico. Expressava a tentativa de aproximar entidades e reunir esforços em torno da valorização profissional, da organização da categoria e do debate sobre os rumos da Economia.
Breno também destacou a participação da entidade em discussões relacionadas à formação acadêmica, ao código de ética e à legislação profissional, além da presença de economistas em momentos relevantes da história brasileira.
A memória da profissão, portanto, não se restringe aos marcos específicos da legislação que regulamentou o exercício da Economia. Ela também está presente na participação de economistas e de suas entidades nos debates sobre os rumos do país.
A Economia nas cidades e na vida da população
A dimensão pública e social da atuação do economista foi destacada por Carlos Frederico Pinto e Neto, secretário da Fazenda do município de Contagem, que representou o prefeito Ricardo Faria na cerimônia.
Também graduado em Ciências Econômicas, o secretário ressaltou a importância da profissão no âmbito municipal, onde as decisões econômicas estão diretamente relacionadas às políticas públicas que chegam ao cotidiano da população.
“No âmbito dos municípios, a profissão de economista tem uma importância muito grande. As pessoas vivem nas cidades, as pessoas precisam das políticas públicas do município.”
Carlos Frederico defendeu ainda uma atuação profissional que considere as pessoas para além dos indicadores e das categorias utilizadas nas análises econômicas. Para ele, os profissionais das Ciências Econômicas e das áreas sociais devem buscar soluções específicas para melhorar a vida dos cidadãos.
A manifestação acrescenta uma dimensão importante à celebração dos 75 anos: o conhecimento econômico também se expressa nas decisões tomadas nos municípios, na elaboração das políticas públicas e na busca por respostas para problemas concretos da população.
Universidade, formação e produção de conhecimento
A celebração dos 75 anos ganhou um significado particular com a participação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que também vive um ano de marcos históricos: são 100 anos da Universidade, 50 anos do curso de Economia e 20 anos do programa de pós-graduação em Economia.
Ao longo de cinco décadas, o curso de Economia da UFV já formou mais de 1.500 economistas, profissionais que passaram a atuar no Brasil e no exterior.
Para o reitor da UFV, Demétrius David, a coincidência das datas reforça a relação entre a trajetória da profissão e o papel das universidades na formação dos economistas e na produção do conhecimento.
O reitor também apontou a necessidade de aproximar as universidades dos Conselhos de Economia. Segundo Demétrius, ainda existe entre parte dos estudantes uma compreensão limitada sobre o papel dos Conselhos, muitas vezes associados apenas à arrecadação. Para ele, é necessário apresentar às novas gerações a missão dessas instituições e ampliar o diálogo durante a formação acadêmica.
O convite para que o Corecon-MG esteja mais presente na universidade aponta para uma questão central para os próximos anos: a valorização da profissão também passa pela formação de novas gerações capazes de compreender seu papel profissional e institucional.
3º Prêmio Economia Mineira reconhece diferentes formas de contribuição
Essa perspectiva esteve presente no 3º Prêmio Economia Mineira, que reuniu diferentes dimensões da atuação econômica.
Na categoria Personalidade Econômica do Ano, o reconhecimento foi concedido a Débora Freire.
O Destaque Econômico do Ano – Academia teve como vencedora a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) com menções honrosas para Ibmec e Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
No Destaque Econômico do Ano – Desempenho Técnico, a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg) recebeu o prêmio. Faemg e Sistema Ocemg receberam menções honrosas.
Já o Destaque Econômico do Ano – Mídia reconheceu a Rádio Inconfidência, com menções honrosas para BandNews Minas e TV Horizonte.
A presença da mídia entre as categorias do prêmio reforça o papel da comunicação na democratização da informação econômica e na aproximação entre temas que muitas vezes permanecem restritos ao ambiente técnico e acadêmico e a sociedade.
O prêmio também reconheceu a atuação das mulheres na profissão. Olga Hianni Portugal Vieira foi escolhida Mulher Economista do Ano de 2026, enquanto Rafaela Vitória e Maria de Fátima Guerra receberam menções honrosas.
Olga atua como Coordenadora-Geral de Estudos Fiscais e Socioeconômicos da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, função relacionada à produção de estudos e análises na área fiscal e socioeconômica.
O conjunto de categorias demonstra a intenção do prêmio de reconhecer diferentes formas de contribuição para a Economia: da pesquisa e da formação acadêmica à atuação técnica, da produção de informação econômica à trajetória profissional.
Instituições que fazem parte da história da Economia
A celebração dos 75 anos também foi marcada por homenagens a instituições que contribuíram para a formação de economistas, a produção de conhecimento e o desenvolvimento da Economia em Minas Gerais e no Brasil.
A Faculdade de Economia de Juiz de Fora foi homenageada pelos seus 85 anos de história. São oito décadas e meia dedicadas ao ensino, à pesquisa, à formação de economistas e à produção de conhecimento a serviço do desenvolvimento de Minas Gerais e do Brasil.
Sua trajetória teve início em 2 de abril de 1941, na Academia de Comércio, com a criação do curso superior de Administração e Finanças. Em 1943, o curso passou a denominar-se Ciências Econômicas, dando início a uma trajetória que atravessaria gerações.
Também recebeu homenagem a Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (FACE/UFMG), instituição cuja trajetória está profundamente ligada à formação de economistas em Minas Gerais e no Brasil.
Fundada em 20 de dezembro de 1941, como entidade privada sob o nome de Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Minas Gerais, a instituição iniciou sua trajetória oferecendo, entre 1941 e 1945, o curso superior de Administração e Finanças, voltado à formação de profissionais para diferentes áreas, entre elas Economia, finanças, serviço público e administração de empresas.
Ao longo de sua história, a FACE/UFMG formou gerações de economistas que contribuíram e continuam contribuindo para Minas Gerais e para o Brasil, ocupando espaços na academia, no setor público e privado, em instituições de pesquisa e em diferentes áreas de formulação e tomada de decisões.
A Universidade Federal de Viçosa recebeu ainda duas homenagens relacionadas à sua trajetória acadêmica. O curso de graduação em Ciências Econômicas foi reconhecido pelos seus 50 anos de existência. Criado em 1976 e oficialmente reconhecido pelo Conselho Federal de Educação por meio da Portaria nº 91, de 21 de janeiro de 1980, o curso consolidou uma trajetória na formação de economistas para diferentes áreas de atuação.
A universidade também foi homenageada pelos 20 anos do Programa de Pós-Graduação em Economia, em reconhecimento à sua contribuição para a produção científica, a formação de pesquisadores e a qualificação de profissionais na área.
As homenagens à UFV integram um conjunto de marcos que tornam 2026 especialmente significativo para a instituição: além dos 100 anos da Universidade, são 50 anos do curso de Economia e 20 anos da pós-graduação.
Também foram homenageados o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelos 90 anos, o professor João Antônio de Paula, da UFMG, e outras instituições e trajetórias que fazem parte da construção da Economia em Minas Gerais e no Brasil.
João Antônio de Paula: uma vida dedicada à formação de economistas
Entre as homenagens especiais da cerimônia esteve a concedida ao professor João Antônio de Paula, em reconhecimento à sua trajetória e à contribuição para a construção e o fortalecimento da profissão de economista em Minas Gerais e no Brasil.
Ao longo de sua carreira, o professor contribuiu para o pensamento econômico, para a academia e, sobretudo, para a formação de diferentes gerações de economistas por meio do ensino, da pesquisa e da produção intelectual.
Em seu discurso de agradecimento, João Antônio de Paula ressaltou a dimensão pessoal da homenagem e lembrou uma trajetória de 50 anos de docência. Ao tentar dimensionar o número de estudantes com os quais teve contato ao longo desse período, afirmou ter interrompido a contagem quando chegou a 20 mil.
Mais do que quantificar uma trajetória, a lembrança serviu para destacar a dimensão humana da experiência docente. O professor ressaltou que a relação com os estudantes também foi fundamental para sua própria formação intelectual.
“Você não consegue ser um professor por tanto tempo sem aprender todo dia.”
Segundo João Antônio de Paula, mesmo uma aula cuidadosamente preparada pode ser transformada pelo encontro com os estudantes, que trazem questões capazes de provocar novas reflexões.
“Cada vez que você entra numa sala de aula, mesmo preparado bem aquilo que você quer falar, há sempre uma surpresa, uma coisa inesperada que te obriga a repensar, obriga inclusive a mudar de opinião.”
A fala do professor trouxe à cerimônia uma dimensão que ultrapassa a homenagem individual. Ela evidencia o caráter permanente da formação: professores formam estudantes, mas também são transformados pela experiência de ensinar, em um processo contínuo de construção e revisão do conhecimento.
Os próximos 75 anos passam pelos dados e pela inteligência artificial
Se a cerimônia olhou para a história da profissão, a participação do presidente do IBGE, Márcio Pochmann, trouxe o debate para um dos grandes desafios contemporâneos: a transformação provocada pelos dados e pela inteligência artificial.
A discussão partiu da experiência do IBGE na produção e divulgação de informações estatísticas e chegou aos desafios colocados pela crescente capacidade de cruzamento e processamento de dados.
Um dos pontos destacados foi o risco de reidentificação de pessoas a partir da combinação de diferentes bases de dados, mesmo quando informações isoladas não permitem sua identificação.
Para Pochmann, esse cenário exige novas respostas das instituições responsáveis pela produção estatística e coloca em debate a relação entre acesso à informação, pesquisa, formulação de políticas públicas e proteção dos dados.
Mas a questão vai além das estatísticas oficiais.
As grandes plataformas digitais acumulam diariamente informações sobre hábitos, deslocamentos, preferências e comportamentos. Esse processo produz uma concentração de dados que, segundo Pochmann, precisa ser analisada também sob a perspectiva do desenvolvimento e da autonomia nacional.
“O Brasil hoje não tem soberania dos seus dados.”
O debate coloca novas questões para os economistas: quem produz os dados, quem os armazena, quem pode processá-los e quem controla as tecnologias capazes de transformar esses dados em informação e conhecimento?
São perguntas que passam a integrar uma agenda econômica na qual tecnologia, informação e soberania nacional estão cada vez mais relacionadas.
75 anos olhando para os próximos 75
As diferentes falas e homenagens realizadas durante o 3º Prêmio Economia Mineira construíram uma trajetória que vai além da celebração de uma data.
A história lembrada por Carolina Rocha Batista remete às raízes da profissão e à mobilização que antecedeu a regulamentação de 1951. Breno Leandro recuperou a construção da representação profissional em Minas Gerais. Carlos Frederico Pinto e Neto destacou a presença da Economia nas políticas públicas municipais e sua relação direta com a vida dos cidadãos. Demétrius David colocou a universidade no centro desse processo, destacando a formação e a produção de conhecimento. João Antônio de Paula trouxe a experiência de quem dedicou cinco décadas à formação de economistas. Márcio Pochmann apontou para desafios que já fazem parte do presente, como inteligência artificial, dados e soberania digital.
São diferentes dimensões de uma mesma história.
A profissão que se consolidou juridicamente em 1951 encontra, 75 anos depois, um país diante de transformações econômicas, tecnológicas e institucionais que exigem novos conhecimentos e novas formas de atuação.
Por isso, celebrar os 75 anos também significa perguntar qual será o papel do economista nos próximos 75 anos.
O 3º Prêmio Economia Mineira mostrou que essa construção continuará sendo coletiva: pelas universidades, pelas instituições de pesquisa, pelos órgãos públicos e privados, pelas entidades profissionais, pela mídia, pelas mulheres economistas e, sobretudo, pelas novas gerações que estão chegando à profissão.
Celebrar o passado, reconhecer o presente e construir o futuro da Economia.
Veja o registro fotográfico da celebração, clique aqui.
13 de agosto: Dia do Economista!
Há 75 anos, a profissão de economista foi regulamentada no Brasil. Desde então, o país mudou — e a Economia também.
Ao longo dessas décadas, economistas estiveram presentes nos grandes momentos da história brasileira: no planejamento e na formulação de políticas públicas, nas empresas e organizações, na pesquisa e na academia, no desenvolvimento regional e na busca por respostas aos desafios de cada tempo.
Hoje, novos cenários trazem novas perguntas e ampliam os campos de atuação da profissão. Sustentabilidade, inovação, transformação tecnológica, educação financeira e desenvolvimento fazem parte de uma Economia cada vez mais conectada com as mudanças da sociedade.
Neste 13 de agosto, o Sistema Cofecon/Corecons celebra os 75 anos da regulamentação da profissão e, sobretudo, todos os economistas que ajudam a interpretar o presente e construir o futuro do Brasil.
75 anos. Um compromisso permanente com o Brasil.
Parabéns, Economistas!
Corecon-MG celebra 75 anos da regulamentação da profissão de economista. Inscreva-se!
O Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG) convida economistas, estudantes, profissionais, representantes de instituições e demais interessados para a celebração dos 75 anos da regulamentação da profissão de economista no Brasil, que será realizada no dia 13 de agosto de 2026, às 18h30, na sede do Conselho, em Belo Horizonte.
A programação terá como um de seus momentos centrais a cerimônia do 3º Prêmio Economia Mineira, iniciativa do Corecon-MG que reconhece profissionais e instituições por suas contribuições à Economia, à valorização da profissão e ao desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais.
A comemoração dos 75 anos remete à Lei nº 1.411, de 13 de agosto de 1951, marco da regulamentação do exercício profissional no país. Mais do que recordar essa trajetória, o encontro pretende reunir diferentes gerações de economistas e aproximar profissionais, estudantes e instituições em torno do papel da Economia e dos desafios que se apresentam à profissão.
Inscreva-se e participe
A participação no evento requer inscrição prévia, realizada por formulário eletrônico.
Data: 13 de agosto de 2026
Horário: 18h30
Local: Sede do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais – Corecon-MG
Endereço: Rua Paraíba, 777 – Savassi – Belo Horizonte/MG
Participe deste encontro e celebre conosco os 75 anos da regulamentação da profissão de economista no Brasil e o reconhecimento promovido pelo 3º Prêmio Economia Mineira.
